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Matéria 8730, publicada em 05/08/2009.


:Jéssica Michels

Dyorgia analisa a sociedade industrial em Tempos Modernos de Chaplin

Charles Chaplin como um "ótimo capitalista"

Marcus Vinícius Carvalheiro



Diferentemente das duas primeiras monografias apresentadas essa semana, Dyorgia Danielly Bogo demonstrou domínio sobre seu tema, não ficando presa apenas à leitura. Na defesa, orientada pelo professor Gleber Pieniz, a acadêmica de Jornalismo analisou a modernidade e a sociedade industrial a partir do personagem Carlitos do filme Tempos Modernos, interpretado e dirigido por Charles Chaplin. A banca formada por Nara Marques e Valdete Niehues avaliou as 104 páginas de conteúdo teórico e os recursos de vídeo, áudio e slides garantindo a aprovação da aluna com a nota 9,0.

O trabalho, que foi separado em três capítulos, leva o título Carlitos não esclarece – a modernidade também não. No primeiro, Dyorgia estudou a vida da sociedade industrial e sua constante modernização, incluindo estudos do contexto histórico do Renascimento, Iluminismo e revolução tecnológica. Logo após, a monografia se voltou para o entendimento da carreira de Chaplin e do personagem vivido por ele. A aluna apresentou o personagem “vagabundo” como um método de resistência à política vigente. No último momento, a pesquisa foi dedicada à análise do filme, com a preocupação de não reproduzir ideias de outros trabalhos já existentes. Dyorgia concluiu que o personagem foi criado para descaracterizar os aspectos industriais, políticos e científicos da época.

Segundo a professora Valdete, Carlitos ironiza o capitalismo e a burguesia, mas também o operário. Na opinião da avaliadora, essa problematização e crítica à toda forma de poder ficou clara na monografia. A professora também elogiou a pesquisa sobre a classe operária, a modernidade e as promessas do Iluminismo, que até hoje não foram desenvolvidas. Para ela, a monografia ficou “leve” e bem sistematizada, mas talvez pudesse incluir os estudos de Max Weber e conceitos para definir melhor termos como “elite” e “poder”.

“Para um comunista ele foi um ótimo capitalista”, afirmou Nara Marques, se referindo a Chaplin. A avaliadora chamou a atenção para a importância de caracterizar o personagem de Tempos Modernos como um símbolo de crítica ao capitalismo, mas também ao comunismo, salientando a importância de desvincular o autor de sua criação. Nara propôs, ainda, incluir na monografia uma análise sobre a linguagem corporal e artística dos palhaços.

Nas considerações finais, Dyorgia comentou que esteve iludida com a bibliografia de Chaplin, o que no início dificultou o reconhecimento do artista como um diretor e personagem capitalista. De acordo com a acadêmica, foi difícil ter acesso aos trabalhos que criticam o autor. Ela também admitiu não ter pensado em incluir as análises da linguagem clown. A aluna assistiu ao filme 14 vezes e falou que de certa forma “exagerou” na descrição do vídeo e do conteúdo. A nota final estava entre suas expectativas e Dyorgia também se mostrou satisfeita com as críticas e sugestões da banca avaliadora.

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