Revi Bom Jesus/Ielusc

>>  Joinville - Domingo, 02 de outubro de 2022 - 00h10min   <<


chamadas

Matéria 8335, publicada em 12/05/2009.


:Carolinne Sagaz

Maria é interpretada por Ângela Finardi e Sabrina Lermen

Muitas mulheres em uma só

Bruno Isidoro



Cunhado paralítico assanhado, bebê chorão, vigia tarado, marido ciumento, um rapaz apaixonado e apenas uma mulher para administrar todos esses problemas. A peça S.O.S. - Uma mulher só conta a história de Maria (vivida por Sabrina Lermen e Ângela Finardi), dona-de-casa que encontra em Ana, sua recém-chegada vizinha, a única escapatória para a solidão diária. O espetáculo foi apresentado no teatro Juarez Machado na noite de 8 de maio, na programação do 14º Fecate.

No palco, uma piscina rasa alaga os móveis da residência da protagonista. Sabrina e Ângela se revezam na interpretação da mesma personagem e, em certos momentos, ficam juntas em cena: às vezes falando e agindo simultaneamente, às vezes intercalando a voz de uma às expressões corporais da outra para demonstrar o que a personagem sente.

Maria, que está há um mês trancada em seu apartamento devido aos ciúmes do marido, toma conta do filho e do cunhado que vive em uma cadeira de rodas. Sua filha mais velha não para em casa, o que faz da mãe uma mulher muito solitária. Com a chegada da nova vizinha, Maria encontra outra companhia além da televisão e do rádio - objeto que, segundo ela, está em todos os cômodos da casa para que ela não se sinta só.

Ana, que mais parece fruto da imaginação da Maria, conhece toda a história da vizinha: descobre como ela vive e está por dentro de tudo o que aconteceu nesse mês à mulher encarcerada. Inclusive, sabe o porquê de tal isolamento: Maria é mantida em casa devido a um relacionamento que teve com um rapaz dez anos mais jovem do que ela (interpretado por Samuel Kühn), que lhe dava aulas particulares. Depois de ignorar seus sentimentos, a dona-de-casa resolve visitá-lo. Seu marido vai à casa do rapaz e pega os dois nus. Maria se fecha no banheiro, corta os pulsos e só não morre porque seu marido a leva ao hospital. Depois de recuperada, tranca-a para que não possa mais se encontrar com ninguém.

No final da peça, uma pessoa liga para Maria e conta que seu marido engravidou uma garota de 14 anos. Em meio à bagunça de sua vida, ela se revolta e decide acabar com tudo: joga o cunhado escada abaixo, atira com uma espingarda na cabeça do vigia tarado e, ao ouvir sinais de que o marido está chegando em casa, aguarda-o com a arma apontada para porta de entrada.

Veja as fotos na galeria da Revi

800x600. ©2005 Agência Experimental de Jornalismo/Revi & Secord/Rede Bonja.