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Matéria 9335, publicada em 23/02/2010.


Pesquisa dá atenção à arte de rua

Emanoele Girardi



Mãos inquietas e discurso apressado. O nervosismo não impediu Lucas Vieira da Silva de defender sua monografia intitulada “Estudo pictográfico: a representação da arte de rua no espaço urbano”, na segunda-feira (22). O trabalho orientado pelo professor Marcelo Grimm Cabral e avaliado pelas professoras Juliana Bonfante e Lígia Zuculoto dissertou sobre diversas formas de arte, a construção do espaço urbano e a arte de rua como forma de comunicar.

O estudante de publicidade falou sobre cidade, paisagem urbana, espaço urbano e arte, e explicou que as manifestações artísticas que compõem o espaço urbano só foram possíveis com as revoluções urbanísticas, tendo como mais importante a Haussmanização, na França, século XIX. Barão Haussman foi responsável pela criação da primeira cidade moderna quando destruiu e reconstruiu toda Paris. A partir da modernização estabeleceu-se a diferença entre a paisagem construída, aquela feita pelos homens, e a paisagem não construída, essa representada pela natureza. Na paisagem construída pode se encaixar a publicidade, conceituada por Lucas como “tornar público”. Assim como a arte de rua, a publicidade se constrói no espaço urbano atingindo a qualquer um que a veja, ouça, leia ou use, citou ele.

Dentre as formas de arte de rua, o trabalho destacou a pichação, uma forma de manifestação antes usada como protesto e que agora segue a linha do exibicionismo; o lambe-lambe, cartazes colados com cola de polvilho, proibidos em Joinville mas constantemente encontrados em postes ou placas; o stencil, feito com chapa de metal ou papel como um molde que delimita a figura desejada; e o sticker, adesivos que têm apenas cunho artístico. Para o estudante, a forma de arte que mais se aproxima da arte de rua é o Dadaísmo, por causa do escândalo e da manifestação. Ele diz também que a Pop Art também se assemelha à publicidade, retratando a cultura de massa e marcas específicas, tendo como principal nome, o publicitário Andy Warhol.

Além da parte teórica, Lucas pode fazer três “rolês” - nome dado a saída para a prática de arte de rua -, os dois primeiros de forma ilegal e o terceiro de forma legal, em que acompanhou o trabalho de Alex Hornest no grafite do muro da Cidadela Cultural Antartica e o entrevistou. Hornest ou Onesto, não se considera artista, apenas se expressa por meio do grafite, informação que confundiu Lucas na definição de arte. “Apesar disso, lembrei o que um ex-professor da instituição falava, 'na arte não há intenção, se houver, não é mais arte'”, contou o estudante que ficou convencido do teor artístico nessas manifestações.

“Queria ter escrito um rap, mas não soube fazê-lo”, brincou Lígia. As examinadoras concordaram na avaliação do trabalho, comentando sobre o descuido com as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) na escrita e na inconstância da linguagem. Juliana sugeriu que Lucas optasse por uma linguagem não tão formal, o que melhor ilustraria o tema de seu trabalho. Além disso, comentou que o termo “estudo pictográfico” deveria ser retirado do título para que ele não precisasse se aprofundar no significado dos ícones e formas. Lígia frisou a falta do conceito de arte no trabalho escrito e sugeriu que fosse acrescentado. No entanto, ambas se disseram satisfeitas com o trabalho e incentivaram o estudante a prosseguir na sua linha de pesquisa.

Quinze minutos de avaliação, de apoio dos amigos ao dono do trabalho e de conversas entre os presentes na sala. Na volta, Marcelo deu a notíca: “A banca de avaliadores concede nota 8,5 ao trabalho e indica que uma cópia do mesmo seja depositada na biblioteca após os ajustes”. O nervosismo desapareceu, os amigos vibraram juntos e a comemoração de Lucas foi relembrando e cantando o rap de química que fez, anos atrás, para estudar para o vestibular.

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