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Matéria 7954, publicada em 04/03/2009.


:Reprodução/Orkut

João amadureceu depois da pesquisa

Ensaio sobre Batman recebe nota máxima

Carolinne Sagaz


Na tentativa de achar respostas para questões existenciais que o acompanham desde a infância, João Kamradt recebeu nota 10 pela monografia “Ao redor do Batman”, orientada por Nara Marques. O acadêmico de Jornalismo propôs, em seu ensaio, uma comparação entre Gotham City, cidade em que vive o super-herói, e conceitos filosóficos como o do Biopoder. Cerca de 30 pessoas assistiram, terça-feira (3), à defesa, que levou os avaliadores a aumentarem a nota de João. Para Maria Elisa Máximo, que formava a banca juntamente com Felipe Soares, o texto lido pelo aluno durante a apresentação “supriu lacunas deixadas pela monografia”.

“Um extremista defensor do que considera justo”. Assim João descreveu Batman, salientando características como a ausência de super-poderes e a busca pela felicidade, que indicam o quão humano o homem-morcego é. Para fazer tal análise, o acadêmico utilizou o conceito de “Conhece-te a ti mesmo”, de Sócrates. Já o Biopoder, discutido por Foucault em “História da Sexualidade”, foi a base para a análise dos vilões e das instituições de poder de Gotham City. Coringa teve atenção especial e foi comparado ao conceito Dionísiaco, de Nietzsche, que representa o caos; enquanto isso, Batman seria o Apolínio, ou seja, a harmonia. Porém, fato ressaltado pela banca, o super-herói tem conflitos e um lado obscuro, ao mesmo tempo que o inimigo tem um caráter racional ao planejar os crimes.

Antes mesmo de começar as arguições, Felipe declarou: “Pra mim, você já está aprovadíssimo. Pode relaxar”. A banca citou alguns problemas, “resultado da pressa e da inexperiência”. Porém, ambos os avaliadores concordaram que o acadêmico se arriscou, mergulhou nas leituras e cumpriu os objetivos a que se propôs. Maria Elisa, que conviveu com João durante um ano no Necom (Núcleo de Estudos em Comunicação), acompanhou o processo inicial da pesquisa. Para ela, além do trabalho escrito, “o esforço e a disposição na compreensão teórica” complementaram a nota. Também foi de grande importância a apresentação do aluno e a postura diante da banca.

Apesar de, como foi observado por Maria Elisa, o acadêmico ter se divertido durante o processo, a falta de tempo o impediu de estudar a solidão de Batman. Por causa disso, “ele não se sentiu tão realizado”, disse Nara. A orientadora acredita que foi visível, ao ler o trabalho, que João amadureceu durante a pesquisa. “Ele queria estudar Agamben, mas percebeu que não poderia partir de algo tão complexo sem estudar a base”, comentou. O autor da monografia pareceu concordar ao declarar não ser mais o mesmo depois da pesquisa. Para ele, o processo foi desgastante, mas o tornou melhor.

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