Revi Bom Jesus/Ielusc

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Matéria 6195, publicada em 16/05/2008.


:Djulia Justen

Radiofreqüência e eletromagnética: tecnologias de proteção para acervo bibliotecário

Biblioteca perde 202 obras em cinco anos

Ariane Pereira


As bibliotecas sofrem com os larápios soltos por aí. Por isso, as tecnologias para proteção de acervo têm evoluído. O Bom Jesus/Ielusc já fez vários orçamentos de sistemas de segurança para a Biblioteca Castro Alves, mas a bibliotecária Maria da Luz Machado reafirma que esse projeto ficou para depois “por outros investimentos que eram prioridade para a instituição”. Mas os WCs não são exclusividade nossa: a Biblioteca Municipal de Joinville e a Biblioteca Visconde de Mauá, da Sociesc, enfrentam o mesmo problema.

Maria conta que o número de livros roubados da Biblioteca Castro Alves em 2007, que era de 50, já mudou. Alguns foram encontrados, outros estavam na unidade Saguaçu: o levantamento ainda não foi concluído. Segundo ela, os furtos em 2007 tanto podem passar dos 50 exemplares quanto serem inferiores a isso. Mas o relatório que cobre o período de 2001 a 2006 mostra que um total de 202 obras foram perdidas. Maria informou que os anos de 2006 e 2007 foram os piores, mas não soube dizer a razão. Para ela, um sistema de segurança é um investimento válido, mesmo aparentemente sendo mais caro. Afinal, com os furtos o acervo deixa de crescer, e o dinheiro gasto para repor os livros poderia ser utilizado para implantar um sistema.

Um dos mais eficazes sistemas de segurança é o de tecnologia eletromagnética. Consiste em fitas metálicas colocadas entre as páginas dos livros e que ficam invisíveis. Para remover as etiquetas, só rasgando o exemplar. Nesse modelo, existem aparelhos que magnetizam e desmagnetizam a fita: se alguém estiver tentando furtar a biblioteca e não tiver desativado a etiqueta, o alarme tocará. Existe também um outro modelo, que utiliza a tecnologia rádio-freqüência. Neste, as fitas podem estar disfarçadas de código de barras, mas não é possível ocultá-las. Ocorre que se o indivíduo entrar com o livro em outro estabelecimento que utilize rádio-freqüência, o alarme tocará, pois as fitas nunca são desmagnetizadas. O custo é mais baixo, mas é obrigatório utilizar by-pass, ou seja, a pessoa passa pelo sistema antifurto sem o livro (para checar se não há nada escondido sob as roupas) e o exemplar é desviado e entregue pelo lado de fora.

O Bom Jesus/Ielusc vem orçando sistemas de segurança ao longo dos anos. O da marca ID Systems, por exemplo, que utiliza a tecnologia eletromagnética, pode custar de R$ 28.830,00 a R$ 36.100,00, cada pacote com duas antenas, um desativador e um reativador. O Ielusc tem três bibliotecas – uma no Centro e duas no Saguaçu – então o preço teria de ser multiplicado por três. Isso sem as fitas magnéticas, que para o acervo de 30 mil volumes da Castro Alves custaria R$ 19.800,00. A tecnologia rádio-freqüência é bem mais barata: da empresa Paros, de Blumenau, os três pares de antenas necessários somariam R$ 18.879,00. As etiquetas teriam um valor total de R$ 6.900,00. A instalação, treinamento dos funcionários da biblioteca e o transporte do material até o local estão inclusos em ambos os orçamentos.

O que acontece em outras bibliotecas

A Biblioteca Pública de Joinville é a que mais sofre com os larápios, proporcionalmente. Do acervo de 41 mil exemplares, cerca de 600 livros “sumiram” em 2007. Mas o maior problema não são as pessoas que saem com os livros às escondidas, mas sim aqueles que tomam emprestado e nunca mais devolvem. O que a biblioteca pode fazer nesses casos é mandar um e-mail ou telefonar, mas muitas vezes o número dado pela pessoa não existe mais ou é falso. Na década de 80, as rádios Cultura e Difusora anunciavam o nome dos mais esquecidos. Esse era um serviço de utilidade pública que não acontece mais por mudanças das diretrizes da rádio e falta de conteúdo: os órgãos públicos para os quais o serviço era prestado – como a biblioteca e o Exército – deixaram de divulgar os dados necessários.

O diretor da Biblioteca Pública, Reginaldo Jorge dos Santos, conta que não há nenhum mecanismo para fazer com que as pessoas devolvam os livros. A instituição prefere acreditar na cidadania. A precaução tomada contra os ladrões é a proibição da entrada com bolsas na biblioteca – o que não é sempre tão rigoroso assim. Reginaldo acha que o furto não é uma atitude mais grave do que arrancar as folhas das obras. “Mata o livro”, lamenta o diretor, esclarecendo em seguida que no caso do roubo, o exemplar ao menos será lido por alguém. A Biblioteca Pública não conta com nenhum sistema de segurança.

A Sociedade Educacional de Santa Catarina (Sociesc) possui duas bibliotecas em Joinville: a Visconde de Mauá, localizada no bairro Boa Vista, e a Marquês de Olinda, no Anita Garibaldi. A Marquês de Olinda possui sistema de segurança com tecnologia eletromagnética, além de guarda-volumes e câmeras de vigilância (que ainda não foram instaladas). Ainda não há dados sobre furtos, pois a biblioteca foi inaugurada em março deste ano. Segundo a bibliotecária responsável, Manuelle Cristine Dalri Milano, não houve tentativa de roubo ainda. Existem alguns alunos “esquecidos”, que saem para tirar fotocópia e levam um livro junto, mas o sistema é eficaz e o alarme sempre toca. Já no campus Boa Vista não há sistema antifurto. No ano de 2007, 70 obras foram roubadas da Biblioteca Visconde de Mauá, que conta com 35 mil títulos. Para a bibliotecária Telma Tupy de Godoy, “seria excelente” um sistema, já que as câmeras de vigilância e o guarda-volumes do campus Boa Vista não são suficientes.

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