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Matéria 4042, publicada em 04/04/2007.


Jornalismo não explora recursos da Web

Lorena Trindade


Há mais de dez anos, a internet tornou-se uma mídia aberta ao grande público e os sites de notícias começaram a surgir. Segundo a pesquisa de Taís Marina Tellaroli, especialista em jornalismo e mídia pela UFSC, mesmo com todas as tecnologias disponíveis atualmente, ainda falta muito para o jornalismo oferecido pela Web utilizar todos os recursos que esse meio disponibiliza. Os portais regionais de notícia, segundo a pesquisadora, carecem de uma compreensão mais abrangente em relação ao funcionamento das redações on-line. Ela chegou a essa conclusão ao analisar dois sites da cidade de Campo Grande (MS).

A partir do fim da década de 90 a maior parte dos jornais impressos do país passou a ter edições on-line. Em função da expansão da rede em outras regiões, que não os grandes centros, surgiu a necessidade da criação de portais locais de informação. A maioria desses portais nasceu dentro das empresas jornalísticas. Taís comenta que nesse período o desconhecimento das linguagens da internet foi um dos empecilhos para a criação de serviços específicos, ou seja, só havia interesse em reproduzir as notícias do meio impresso, tal e qual estavam, para o site.

Existe uma diferença significante entre os megaportais e os portais regionais. O primeiro é classificado como horizontal, por sua audiência variada e grande volume de tráfego. Já ao segundo é dado o nome de vertical, por se destinar a um segmento específico e atender a interesses exclusivos de determinada comunidade. A autora atenta para o crescimento de sites nesse segmento devido à grande audiência. As notícias locais são as mais procuradas, seguidas por informações sobre a previsão do tempo.

Na seção “A inserção do jornalismo on-line no cenário cibernético”, Taís resgata a trajetória da internet e de como este meio gerou o que Mark Deuze chama de “quarta espécie do jornalismo”.

Partindo da investigação da freqüência de atualização dos sites e o que essas atualizações acrescentam de informações ao leitor, Taís analisa os dois portais regionais sul-mato-grossenses, Campograndenews e Midiamaxnews. Estes dois sítios foram escolhidos por serem duas empresas independentes e por terem autonomia na produção de informações variadas. Durante o período de uma semana, das 6 horas da manhã às 24 horas – horário com maior fluxo de informações recolhidas pelas equipes – os dois sites publicaram (segunda, quarta e sexta-feira) 315 notícias.

Nos dois portais os acessos são feitos, em grande parte, por pessoas que residem no estado. O Campograndenews veicula notícias em oito editorias: política, economia, esporte, geral, cultura, turismo, agropecuária e eventos. A editoria mais visitada e com o maior número de notícias é a geral, e as notícias são atualizadas constantemente durante 24 horas. No Midiamaxnews a editoria mais visitada também é a geral, seguida de política, polícia e economia. Na geral são publicadas notícias que afetam ou interessam o cotidiano da população.

Segundo a autora, ambos os sites ainda apresentam baixo número de atualização. A maior parte das notícias (quase 80%) não é atualizada ao longo do dia. Nas atualizações há pouca variação de fontes. Geralmente os jornalistas recorrem aos mesmos entrevistados para checar informações já noticiadas e saber se há novidade no fato. Ela finaliza atentando para o longo caminho que os veículos on-line regionais têm a percorrer, tanto na qualidade das informações oferecidas ao leitor quanto na atualização do noticiário, que não passa dos 20% do total veiculado no período de três dias.

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