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Matéria 9516, publicada em 12/04/2010.


: Francine T. Ribeiro

O escritor e jornalista contou ao público suas experiências

Ruy Castro é um dos destaques da Feira do Livro

Francine T. Ribeiro



A 7ª Feira do Livro de Joinville continua atraindo grande público para a visitação de estandes e para a compra de livros. Na sexta-feira (9 de abril), o evento foi marcado pela presença de alunos de escolas públicas e privadas da cidade, e nomes como Maria Tereza Maldonado e Ruy Castro.

No início da tarde foi realizada uma contação de histórias, pelo artista Humberto Soares. No público, alunos de diversas faixa etárias com olhos atentos.

Para Simone de Oliveira, professora da 4ª série da Escola de Educação Básica Arnaldo Moreira Douat, a iniciativa de promover a Feira do Livro é excelente. Seus estudantes irão participar das Olimpíadas de Português e utilizarão a experiência da visita. Simone relata que as crianças conseguiam perceber as rimas existentes nas contações e relacioná-las com poesias, tema que será explorado na olimpíada. “Muitos gostaram da novidade. Chegando aqui, eles se encantaram”, afirma. A professora conta que irá desenvolver um projeto, e a Feira do Livro servirá de embasamento. “Eu já vim aqui como aluna, agora volto como professora”, completa.

Simultaneamente, no auditório da feira, Maria Tereza Maldonado, autora dos livros Comunicação entre pais e filhos, Cá entre nós – na intimidade das famílias, e A Face Oculta conversava com adolescentes sobre bullying e cyberbullying. Com a inserção de grande parte dos adolescentes em redes sociais, o problema do bullying ultrapassou a vida real e ganhou espaço também virtualmente.

De acordo com a professora Marlene Creuz, que leciona Língua Portuguesa na Escola de Educação Básica Arnaldo Moreira Douat, foi realizada com os estudantes, uma campanha contra o bullying. A prática, muito comum entre adolescentes, foi alvo de estudos e abordagens em sala de aula. O interesse dos alunos pelos livros também é incentivado pela escola, que promove semanalmente aulas de leitura.

Sábado com Ruy Castro


A manhã de sábado (10 de abril) ofereceu ao público um café literário, com o jornalista, tradutor e escritor Ruy Castro. O historiador Apolinário Ternes iniciou a conversa com o convidado que explanou brevemente sua trajetória profissional.

Relatou que sempre teve o desejo de ser jornalista, e trabalhar no Correio da Manhã, do Rio de Janeiro. O jornal, que apresentava um perfil polêmico, o instigou a buscar seu objetivo.

Mesmo cursando Ciências Sociais, Ruy Castro foi até a redação para conhecer a rotina jornalística. Um ano depois José Lino Grünewald convidou-o para completar a equipe de repórteres. “O redator do jornal me disse duas coisas: você vai trabalhar como profissional e ganhar como amador”, relembra. Mesmo assim, ele aceitou o desafio. Começou a carreira realizando reportagens gerais e, posteriormente, foi promovido a escrever no caderno cultural da publicação.

O emprego abriu portas para novas oportunidades. Castro participou de publicações como as revistas Manchete, Playboy e IstoÉ, e jornais como a Folha de S. Paulo e Jornal do Brasil. Foi também editor da revista Seleções em Portugal. “Quando se é profissional, se tem que aprender a trabalhar em diversos veículos”, reforça.

Na profissão de jornalista, Ruy Castro aprendeu a se preparar para a realização de entrevistas e apurar as informações que muitos de seus entrevistados não revelavam. A ideia de abordagens diferenciadas das feitas por jornais e revistas fez o jornalista tornar-se escritor.

Ele sugeriu à editora Companhia das Letras um livro que contasse detalhadamente a história da bossa nova, e daí surgiu Chega de saudade. As produções biográficas, como Estrela solitária, de Garrincha, e Carmem, de Carmem Miranda, necessitaram muito estudo e dedicação do escritor. Ruy explica que, inicialmente, faz um levantamento de todo o material já publicado sobre o alvo de seu estudo, e lista nomes que possivelmente possam contribuir com sua pesquisa. O trabalho realmente começa na busca de novas informações, que ninguém publicou ou descobriu. O processo é detalhado e necessita de tempo. A produção da biografia de Carmem Miranda exigiu cinco anos para ser concluída, e a de Garricha, três anos.

Silvio Melatti, coordenador do curso de Jornalismo do Bom Jesus/ Ielusc, que chegou minutos depois do início da conversa, perguntou à Ruy Castro se o método de apuração adotado como jornalista difere-se muito ao do adotado como escritor. Ele afirmou que o contato humano com as fontes é fundamental para um melhor resultado e aprendizagem. Para a produção de seus livros, Castro realizou grande parte das entrevistas pessoalmente, e afirma que é importante que o repórter possua conhecimento sobre a fonte.

Na opinião de Ruy Castro, o jornalismo literário não existe. “Existe um jornalismo cultural”, reforça. Para ele, o estilo no qual é enquadrado o jornalismo literário sempre existiu.

Atualmente, Castro mantém uma coluna na Folha de S. Paulo e dá palestras pelo país. Sobre a arte de escrever, ele resume: “Eu nunca achei pobre ser jornalista, ou nobre ser escritor. Não planejei, aconteceu.”

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