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Matéria 8507, publicada em 04/06/2009.


:Jéssica Michels

Coletivo ? é formado por Baumann e Melanie

Projeto alia xamanismo e gênero na contemporaneidade

Bruno Isidoro



Em meio a livros de jornalismo, literatura, esculturas e pinturas, a confusa Melanie Peters teve o projeto Gênero e Ritual selecionado pelo Edital de Apoio à Cultura 2009 da Fundação Cultural de Joinville na categoria de Artes Visuais. O trabalho não é individual: Melanie faz parte do Coletivo ? com o escritor Eduardo Baumann e, junto com o Grupo Ímpar – dos performers Giovanna Fiamoncini, Gabriela Fiamoncini e Luiz Gonzaga Guedes – montaram o projeto. Com o apoio financeiro do edital, os autores farão apresentações nas ruas, praças e outros espaços públicos. Essas performances consistem de uma mescla de rituais xamânicos, de signos ancestrais do feminino e de elementos da vida contemporânea.

Melanie é formada em Jornalismo pelo Bom Jesus/Ielusc, porém no momento só pensa nos seus projetos artísticos: faz curso de cerâmica, de desenho e de história da arte. Sua ligação com o xamanismo foi uma das influências para a escolha do tema do trabalho. Baumann já foi levado ao projeto mais pela questão do gênero. O performer diz que o trabalho de pesquisa para este projeto começou em dezembro do ano passado. Agora, com o Grupo Ímpar, pretendem mostrar o papel da mulher – parte mais esquecida na história dos rituais – e envolvê-lo com elementos contemporâneos.

O projeto Gênero e Ritual receberá R$ 5.600 do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura para a concepção, a elaboração e a apresentação de oito trabalhos – provavelmente quatro por grupo – porém apenas um foi apresentado em vídeo para seleção dos julgadores. “Ainda não sabemos ao certo sobre os outros. Esse primeiro também será melhorado”, explicou Melanie. Nas imagens que foram avaliadas, a performer usa máscaras, cobre o corpo de lama e manipula outros signos que simbolizam o gênero feminino como a serpente e a lua. Um monitor de computador, um relógio e até salgadinhos são alguns dos materiais contemporâneos usados nesta cena. O dinheiro do edital, segundo Baumann, será essencial para a continuidade das pesquisas e a compra dos materiais necessários.

Gênero e Ritual é a primeira performance de Melanie, que também é escritora. Baumann faz esse trabalho há sete anos, mesmo tempo que os integrantes do Ímpar, grupo que costuma usar o improviso nas apresentações. “Somos espontâneos. Deixamos acontecer”, disse Giovanna. O Ímpar geralmente se apresenta na abertura de exposições artísticas e já foi convidado para mostrar suas performances na Bienal de São Paulo.

800x600. ©2005 Agência Experimental de Jornalismo/Revi & Secord/Rede Bonja.