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Matéria 7096, publicada em 23/09/2008.


:Luiza Martin

Evento uniu cinema e literatura

Anfiteatro cheio para ver e ouvir Machado

Sílvio Melatti


Faltou lugar — e quase faltou tempo — para o evento que marcou o aniversário do Clube de Cinema na noite de segunda-feira (22 de setembro). Primeiro porque a exibição do filme “Memórias Póstumas” acabou atraindo a atenção de turmas noturnas do ensino médio, que, somadas às do ensino superior, povoaram o anfiteatro para além das 200 cadeiras azuis. Segundo porque o debate que se seguiu ao filme segurou boa parte da platéia até perto das 22h30, quando dobram os sinos da Igreja da Paz e o turno escolar chega oficialmente ao fim.

A professora Deise Freitas, especialista em Machado de Assis e gerente do projeto que digitalizou a obra completa do escritor, não entrou no mérito da adaptação cinematográfica dirigida por André Klotzel. “Não é a minha área”, disse a doutora em teoria literária, afirmando apenas que o filme foi fiel à estrutura geral do livro. Deise fez um breve apanhado biográfico de Machado, destacando sua condição social (preto e pobre), psicológica (gago e epiléptico) e intelectual (aos 19 anos já tinha definido as linhas gerais do seu projeto literário). Em seguida, falou sobre a obra. Então a noite ficou pequena: depois de 15 anos “ininterruptos” estudando “o bruxo do Cosme Velho” e de ter catalogado mais de 200 obras machadianas no Nupill (UFSC), Deise teria muito a dizer. Tanto que nem notou o bilhete escrito pelo professor Silnei Soares e entregue pelo estudante Jean Ricardo de Almeida (seus parceiros de mesa e integrantes do Clube de Cinema), no qual se lia: “[Faltam] 5 minutos”.

A vastidão da obra, a complexidade do autor, sua fortuna crítica, tudo isso passou na panorâmica de Deise ou foi explorado nas perguntas do público. Machado contista, cronista, poeta, romancista, jornalista, crítico — das artes e dos costumes — merece um curso. E o primeiro passo para isso, coincidentemente, pode ser dado a partir de hoje, de graça, por qualquer pessoa alfabetizada: ler Machado, agora sem obrigação, ler por prazer, ler “até arderem os olhos”, como disse Fernando Pessoa. O trabalho de Deise e seus dez bolsistas do curso de Letras da UFSC está disponível no sítio Domínio Público. Sirvam-se.

Antes, porém, sugerimos uma sobremesa. Trata-se da crônica de tempero lusitano escrita pelo bolsista Sidney Azevedo a respeito de sua descoberta de Machado (clique no primeiro título da lista abaixo).

Comentários dos leitores
 

  • 9-/-0/2008 -

    Sílvio Melatti [Joinville]:

     

    EM TEMPO.

     

    Antes que alguém pergunte: servir a sobremesa antes do prato principal é uma, digamos, homenagem a Brás Cubas, que inverteu a ordem natural dos eventos ao começar sua história pelo fim. Convenci?.

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