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Matéria 1936, publicada em 01/04/2006.


:Izani Mustafá

Jornalistas falam sobre direito à informação

Um dos caminhos é a aproximação do público com os jornalistas

Izani Mustafá


Londrina — “O direito da sociedade à informação e o dever do jornalista” foi o tema proposto para ser debatido nesta manhã de sábado (1º de abril), no 1º Seminário Nacional Ética no Jornalismo, realizado em Londrina (PR). Um dos painelistas, o vice-presidente da Fenaj e presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Fred Ghedini, abriu o encontro citando a carta do ex-editor da sucursal de Brasília da revista Isto É, Luiz Cláudio Cunha – demitido no final da tarde de sexta-feira (31 de março) depois de um desentendimento com o diretor editorial, Carlos José Marques. O caso foi citado para lembrar sobre a importância da regularização da profissão em uma organização que cuide e trabalhe com a questão do exercício ético. Para ele, o Conselho Federal de Jornalista é o único instrumento legal para verificar se a ética está sendo respeitada. “A informação é um direito constitucional da sociedade e nós temos o dever de informá-la”, disse Fred. No entanto, salientou que a criação efetiva do conselho depende da mobilização dos jornalistas.

O doutor em Ciências da Comunicação (USP-SP), professor de legislação e ética em jornalismo da Univali, Rogério Christofoletti, chamou a atenção para a necessidade de se debater mais sobre ética e “se voltar para o umbigo da própria profissão, mexer nas vísceras”. Ele concorda que não é muito bom falar sobre isso porque é necessário olhar para os erros humanos, deslizes e até crimes. Christofoletti é o coordenador do Monitor de Mídia, grupo de trabalho que avalia a qualidade dos veículos de comunicação de Santa Catarina, sendo hoje uma referência para se verificar onde ocorrem e quais são os deslizes éticos mais freqüentes. "Mas também apontamos os pontos positivos na mídia", completa.

Rogério indicou três grandes características do cenário envolvendo público e jornalistas nos últimos dez anos: mudanças no padrão e na quantidade do acesso à informação; os jornalistas não são mais guardiões da informação; o glamur e as mazelas tornaram-se mais visíveis. “Com tudo isso, eu penso que algo entre o público e o jornalista precisa ser refeito. Nós temos que mudar o olhar para o público porque ele não é mais passivo.” Na opinião dele, o público precisa saber como funciona mídia e “pode exigir para que se efetive o direito à informação”. Ao conhecer esse mecanismo de como funciona a mídia, o público estará mais próximo do jornalista, completou. Exemplos como seção de cartas, ombudsman e criação de um conselho de leitores – criado na RBS – são alguns caminhos que a mídia pode utilizar com mais freqüência, resumiu o professor.


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