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Matéria 1935, publicada em 31/03/2006.


:Izani Mustafá

Palestrantes falam de liberdade de imprensa

Dilemas éticos provocam discussões acaloradas

Izani Mustafá


Londrina — A tarde de sexta-feira (31 de março), no 1º Seminário Nacional Ética no Jornalismo, teve discussões acaloradas. No painel “A ética crítica dos métodos e técnicas da imprensa – Dilemas éticos” o assunto principal foi: falsa identidade, manipulação de fotografias digitais, câmeras e equipamentos de áudio escondidos, escutas telefônicas e off devem fazer parte do cotidiano dos jornalistas, nas redações de qualquer veículo de comunicação? A resposta dos painelistas e da platéia (composta por 300 participantes, entre profissionais e acadêmicos de diversas faculdades de comunicação do Brasil) foi de que estes meios não podem fazer parte de um jornalismo ético. Para Francisco Karam, professor do departamento de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina e autor de livros sobre ética, tais métodos devem ser evitados ao máximo.

Ao lado de Karam estava Cristiane Finger da Costa, editora e âncora regional da TV SBT de Porto Alegre (RS). No encontro, ela apresentou uma matéria investigativa da emissora que desvendou, com a utilização de recursos gravados em off, o mau uso de recursos financeiros por parte de alguns deputados da Assembléia Legislativa gaúcha. A reportagem, apesar de ter alertado a sociedade para uma postura antiética de determinados parlamentares, não pode servir de exemplo. “TV não é só câmera escondida", disse Cristiane. "Não podemos achar que estamos acima da lei.” No momento em que jornalistas compram drogas ou armas para comprovar um crime, também estão cometendo um crime, salientou. “É prepotência acharmos que estamos acima da lei. Se precisamos de imagens para comprovar um fato na nossa matéria, é porque ela está sem credibilidade”, resumiu.

Liberdade de imprensa

O último painel da tarde também provocou a platéia com o tema “Os entraves para a liberdade de imprensa no exercício do jornalismo”. José Maschio, repórter da Folha de S. Paulo, lembrou que a notícia da semana foi a carta do jornalista Luiz Cláudio Cunha, da sucursal da revista Isto É em Brasília, ao seu diretor editorial, José Carlos Marques, revelando como uma matéria elaborada pelo repórter investigativo pode ser retalhada pelo editor. Para ele, que tem 49 anos de idade e 23 de profissão, o jornalismo da revista semanal, "descrito com muita precisão" por Cunha, reflete o jornalismo do Brasil. “Se trocou da ditadura militar para a econômica e agora para aquela matéria bonitinha”, alertou, referindo-se à predileção de alguns editores pela boa diagramação, belas fotos e imagens montadas. Na mesma mesa estava o repórter Aziz Filho, da revista Isto É, que, por ser presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, foi discreto em sua observação a respeito do que aconteceu na revista. Ele preferiu não utilizar a imunidade que tem como integrante do sindicato para dar opinião a respeito. Enquanto os jornalistas debatiam a famosa carta, o jornalista Luiz Cláudio Cunha era demitido da Isto É às 17 horas desta sexta-feira. A informação foi publicada no sítio Comunique-se.

Programação de sábado

O 1º Seminário Nacional Ética no Jornalismo recomeça neste sábado (1º de abril) com os painéis “Espaço de comunicação dos patrocinadores” e “O direito da sociedade à informação e o dever do jornalista”, que terá a presença da vice-presidente da Fenaj, Fred Ghedini, e da representante da Agência de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência, Vânia Mara Welte.


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