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Matéria 1508, publicada em 13/10/2005.


:Divulgação

Estação Meteorológica Convencional e Automática Ciram/Epagri

Desde 1995 Joinville também conta com a estação da Univille

Erivellto Amaranth


Entre 1993 e 1994 entrou em operação o Climerh, primeiro instituto de meteorologia de Santa Catarina com sede na Epagri, em Florianópolis. A iniciativa de formar o centro de previsão do tempo aconteceu durante uma reunião sobre o fenômeno do El Niño em 1992, na capital do estado. Seguindo uma tendência da época, para a formação de centros regionais no Brasil, 14 instituições nacionais e estaduais assinaram um acordo para estruturar, sediar fisicamente o centro regional de meteorologia e hidrologia, além de adquirir e manter equipamentos e funcionários, garantindo o funcionamento do centro. No final de 2004 o nome Climerh foi extinto e hoje os setores de Meteorologia, Hidrologia, estações de coleta de dados e a Tecnologia da Informação fazem parte do Ciram (Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina) que foi criado em março de 1998, como Centro Integrado de Recursos Ambientais.

No último concurso público estadual da Epagri em 2002, foram criadas cinco vagas para meteorologistas e pela primeira vez na história de Santa Catarina, o estado conta em seu quadro de funcionários com Bacharéis em Meteorologia. Cinco pessoas ainda é um número pequeno e por isso outros meteorologistas, contratados completam o quadro de nove profissionais com graduação, mestrado e doutorado. Aproveitando a força de trabalho que está se formando no estado, o setor de Meteorologia e Hidrologia do Ciram, conta com técnicos contratados, estagiários e bolsistas do curso técnico de meteorologia do CEFET-SC.

Desde 1995 Joinville também possui uma estação meteorológica, sediada na Univille. O centro nasceu de um convenio entre a prefeitura do município, o Ciram/Epagri e a Faculdade de Engenharia de Joinville (FEJ). Com aparelhos de leitura direta e o auxilio de gráficos com duração semanal, as medições são feitas diariamente (inclusive nos finais de semana) às 9, 15 e 21 horas. Os dados coletados são encaminhados para o Ciram de Florianópolis, que é responsável pela previsão do tempo de todo o estado. Em 2002 entrou em operação a segunda estação meteorológica da Univille. Totalmente automatizada, colhendo dados todo segundo, o equipamento faz a medição de todos os tipos de radiação solar e também da temperatura, precipitação, umidade relativa e pressão atmosférica.


O trabalho do meteorologista

Um dos maiores problemas enfrentados pelos meteorologistas é a falta de apoio do governo federal, que não destina investimentos para a compra de equipamentos e qualificação profissional. “Não vale votos para as eleições. Talvez essa seja a razão para a falta de recursos públicos”, lamenta Alessandro Barbosa, 31 anos, geógrafo e responsável pela estação meteorológica da Univille. Os institutos nacionais não possuem tecnologia necessária para realizar a previsão de um furacão, como aconteceu com o Catarina em 2004. “Falta estrutura para o monitoramento de curto prazo exigido em situações como essa”, alerta Marilene de Lima, 42 anos, meteorologista do Ciram/Epagri. O Brasil carece de uma rede de bóias oceânicas (os furacões se formam sobre águas do oceano mais aquecidas do que o normal), uma melhor e maior cobertura de estações meteorológicas de superfície (para prever as condições diárias do tempo) e uma densa rede de radares meteorológicos para que temporais e até mesmo tornados possam ser previstos com o tempo mínimo necessário para minimizar ao máximo os danos.

“Trabalhar como meteorologista é fantástico. É fascinante poder acompanhar e entender todos os diversos fenômenos que acontecem na atmosfera. Mas tudo isso requer muita responsabilidade, pois se está lidando com a natureza e sua grande variabilidade”, comenta Daniel Calearo do Ciram/Epagre de Florianópolis. “Hoje, há profissionais de outras áreas que gostam da nossa ciência, se aventuram a falar sobre comportamento atmosférico, tornando o público despreparado e presa fácil de informações desencontradas e pouco confiáveis”, alerta Marilene da Silva. “Tem vezes que nós temos que responder pela omissão dos órgãos que deveriam fiscalizar esse exercício ilegal da profissão, além de garantir o cumprimento da responsabilidade profissional do meteorologista”, complementa.

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