Revi Bom Jesus/Ielusc

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Matéria 9124, publicada em 04/11/2009.


:Francine T. Ribeiro

Cornélia Eckert participou do lançamento da Rastros

Antropóloga fala sobre cidade, imagem e memória

Emanoele Girardi



O Bom Jesus/Ielusc sediou na noite de terça (3 de novembro) uma palestra com o tema “Cidade, imagem e memória”, ministrada pela professora doutora Cornélia Eckert, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Ao longo de sua fala, a convidada discorreu sobre seu projeto de pesquisa relacionado à memória coletiva, apresentando os objetivos, o procedimento do trabalho e o site do Banco de Imagens e Efeitos Visuais (Biev). O evento teve início às 19h30 no anfiteatro da instituição e contou com a participação dos acadêmicos e professores do curso de Comunicação Social.

Desde 1997, Cornélia e Ana Luiza Carvalho da Rocha realizam pesquisas com o objetivo de criar um museu virtual sobre memória coletiva e cidade. Para tanto, foi preciso buscar o que representaria tal memória em pensadores como Gaston Bachelard. Segundo a doutora, “a memória é construída na arrecadação de imagens que se movimentam e, quando vistas, relembram o material.” A partir dessa conclusão, o projeto desenvolvido com alunos da Ufrgs tem buscado, na cidade de Porto Alegre, fotos, vídeos, sons e narrativas que representem a memória coletiva do local.

“Você precisa estar com o outro, aproximar-se”, disse Cornélia sobre a arrecadação dos registros etnográficos. Ela explica que é preciso se deslocar pela cidade, conhecer o que compõe o ambiente, estar atento à interação e aos gestos. A professora acrescenta que é preciso “estranhar o familiar e familiarizar-se com o estranho”: só assim estará comunicando.

O procedimento pelo qual os registros passam tem quatro etapas. Primeiro é a captação das imagens ou sons; depois a análise; o cadastro (de onde são, de quem são) e, por último, são organizados em coleções. Para a professora, as coleções ou constelações permitem um conjunto lógico entre as imagens e sons que compõem o contexto urbano. Além disso, a opção de utilizar as novas tecnologias fazendo do museu uma instituição virtual cria um maior interesse e facilita a interação com o usuário.

A palestra seguiu com a apresentação de alguns trabalhos em vídeo e áudio. Neles, histórias de pescadores e registros de conversas cotidianas na feira demonstraram como é construída a memória coletiva. Cornélia ainda apresentou o vídeo de outro projeto: “Narradores Urbanos – Antropologia urbana e etnografia nas cidades brasileiras” foi gravado com pensadores brasileiros que discutem o tema da cidade. A convidada respondeu as perguntas da plateia e encerrou sua fala com a frase: “Memória é duração porque permite, provoca e evoca a movimentação de imagens”.

A doutora Cornélia Eckert veio a Joinville atendendo a um convite do Núcleo de Estudos em Comunicação (Necom) do Bom Jesus/Ielusc, que aproveitou a palestra com a pesquisadora para anunciar o lançamento da 12ª edição da revista científica Rastros. Em virtude de problemas técnicos, os exemplares da publicação não ficaram prontos a tempo de serem distribuídos no evento e são aguardados para os próximos dias.

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