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Matéria 9156, publicada em 12/11/2009.


:Emanoele Girardi

Sebos recebem clientes de todas as idades e classes sociais

Os livros estão em alta, apesar da internet

Francine T. Ribeiro



As facilidades do mundo virtual não impediram o crescimento de um comércio muito antigo e tradicional: os sebos. A cidade de Joinville conta com pelo menos cinco estabelecimentos que mantêm ativas suas vendas de livros e revistas. Todos estão localizados na área central da cidade, recebem e trocam materiais, restauram livros (dependendo de sua raridade e importância no cenário literário) e têm público de todas as idades.

Apesar do avanço tecnológico e do predomínio da imagem sobre a palavra, as pessoas continuam lendo. É o que afirma Fabíola Rodrigues Borges, gerente da Banca Colin, um dos comércios de livros e revistas usados da cidade. Segundo Fabíola, há clientes que frequentam o sebo todo o mês. “Eles já sabem o que querem”, afirma. A faixa etária também é variada, indo desde os jovens até pessoas mais maduras. Conforme a gerente, as revistas de artesanato, os livros espíritas e de literatura estrangeira são os mais procurados. Na maioria das vezes, são efetuadas a troca de produtos dos clientes com produtos da banca. Quando em bom estado, são aceitos todos os tipos de livro e feitas também restaurações nas capas quando se trata de livros muito procurados pelos clientes.

Para Denilson Agostinete, proprietário do Universo Cultural, estabelecimento que troca e vende livros novos e usados, a procura tem aumentado no que diz respeito aos livros de literatura estrangeira e brasileira. No entanto, houve uma considerável baixa na procura de enciclopédias para pesquisas escolares. Diferentemente da Banca Colin, que trabalha muito com trocas, a compra de produtos é mais frequente no Universo Cultural. O público do local possui diferentes perfis e idades, e a aceitação dos livros depende do autor, da obra e dos danos existentes no exemplar. O Universo Cultural também pode ser encontrado no Estante Virtual, um site que organiza e divulga o catálogo de livros de sebos de todo o país. Segundo Agostinete, essa iniciativa de explorar o comércio pela internet fez aumentar as vendas.

Próximo à praça Nereu Ramos encontramos mais um estabelecimento: o Brechó da Revista. Daniel da Silveira, vendedor do local, também não percebeu diminuição na procura de livros. Segundo Daniel, a classe social que mais frequenta o local é a classe B. Ele acredita que o perfil dos clientes se dá pelo valor do livro – mais baixo do que os praticados nas livrarias, no entanto, com qualidade. Daniel observa que os exemplares mais vendidos são os de auto-ajuda e de literatura estrangeira. O comércio aceita todo o tipo de livro, exceto os didáticos e as enciclopédias, que não são mais procurados.

Outro estabelecimento que está localizado no centro da cidade é o Sebo Princesa Izabel. O proprietário Sérgio Luiz Berri acredita que muitos ainda preferem os livros e que o movimento após as facilidades tecnológicas baixou de forma pouco perceptível. “As pessoas gostam de sentar e ler o livro, ali, com ele em mãos”, afirma. Sérgio diz que os frequentadores vão desde as crianças que gostam dos gibis às pessoas mais velhas, que optam pela literatura. Os clientes possuem as mais variadas formações e classes sociais, o que diversifica as vendas do local. “Tenho clientes doutores, professores...”, explica. As revistas de artesanato e best-sellers como os livros da saga Crepúsculo são os itens mais procurados. No procedimento de troca e compra de produtos são examinadas a qualidade e a procedência dos livros. É feita também a restauração, verificando a raridade e a procura dos livros pelos consumidores. As enciclopédias, assim como nos outros estabelecimentos, não são mais aceitas, justamente pela falta de procura pelos clientes. “Hoje em dia, toda uma coleção de enciclopédias cabe em um CD”, enfatiza o proprietário, revelando que algumas vezes esses tipos de livro são solicitados para fim de compor um cenário em filmes ou novelas de época. Para Sérgio, outro setor que sofreu grande queda nas vendas foram os CDs. “A venda diminuiu cerca de 80%”, estima. Em contraponto, a inserção do estabelecimento na Estante Virtual alavancou os negócios. “Seria uma segunda loja”, resume.

Silvana Pereira Stadler é sócia de um dos mais tradicionais estabelecimentos da cidade, O Sebo. Para Silvana, os avanços da tecnologia possibilitam mais acesso à cultura e fazem com que a procura pelos livros aumentasse. O fato se deve à divulgação dos livros, que passam a ser conhecidos com o auxílio da própria internet. Seguindo o exemplo dos demais estabelecimentos, os CDs também tiveram queda nas vendas. Silvana acredita que esse já é um reflexo das facilidades de se obter músicas através da rede. Ela percebe, no entanto, que há aumento no movimento de estudantes em época de vestibular, procurando os livros listados para as provas. Há também universitários que buscam literatura específica e o público em geral, à procura dos best-sellers do momento. Para serem efetuadas a troca e a compra, os livros devem estar em bom estado.

Silvana esclarece que livros considerados raros são restaurados, de forma que sua apresentação não seja comprometida. Como os demais estabelecimentos, O Sebo não compra enciclopédias, já que para finalidade de pesquisa, estas coleções não são mais procuradas. A comerciante não vê o fato como problema: “Os formatos mudaram”, finaliza.

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