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Matéria 8896, publicada em 21/09/2009.


:Giorgio Testoni

De bicicleta, joinvilenses descobrem a região e o mundo

Cicloturismo: Saúde, lazer e preservação da natureza

Emanoele Girardi



A cidade das bicicletas há muito vem perdendo o verdadeiro significado desse título. Apesar da forte influência da cultura germânica preservada em alguns aspectos da população e da infra-estrutura, Joinville tem trocado as típicas “magrelas” – antes, usadas como meio de transporte – pelos automóveis. Mesmo que a característica funcional desse veículo se perca ao longo dos anos, o cicloturismo tem despontado como uma opção para os amantes do ciclismo. Essas pessoas formam grupos e organizam passeios ou viagens mais longas com o intuito de preservar a pedalada como forma de lazer, atividade física e mental, além de colaborar no aspecto ambiental, preservando a natureza.

No Dia Mundial Sem Carro, 22 de setembro, o objetivo é deixar por um dia a loucura dos trânsitos interditados e optar por transportes alternativos como forma de preservar o meio ambiente e a saúde pessoal. O Movimento Pedala Joinville (MPJ) – do qual participam pessoas de 10 a 70 anos adeptas do uso da bicicleta – é parte atuante nessa manifestação e busca conscientizar a outra parcela da população para as alternativas aos motores poluentes e ao tráfego agressivo. Nessa terça-feira, o grupo faz um passeio de bicicleta em comemoração ao Dia Mundial Sem Carro. A concentração acontece na praça Nereu Ramos às 18h30, com saída prevista para as 19 horas. Toda a comunidade pode participar.

Joinville em duas rodas

A história do Pedala Joinville começou em 2007. Na véspera da manifestação do Dia Mundial Sem Carro, o grupo de amigos que costumavam pedalar juntos conseguiu 20 mil panfletos que distribuíram para tentar reunir um grande número de pessoas e conscientizar para a importância da data. “O legal é que, mesmo sendo um sábado, a adesão foi grande”, lembra o presidente do MPJ, Laércio Batista Júnior. Nesse mesmo ano, a entidade foi registrada e o processo de associação, agora, é de forma cadastral. Segundo Batista, o intuito do movimento é estimular o uso da bicicleta como transporte e lazer, prezando pela segurança, e nesse caso, significa que além de reivindicar melhorias nas ciclovias, é preciso educar ciclistas e motoristas para que harmonizem suas relações. “Não quer dizer que precisamos somente de ciclovias, mas sim de educação, o hábito do uso, colocar as bicicletas na rua, senão não justifica as ciclovias que já temos e que teremos”, diz.

O grupo tem hoje mais de 300 membros e age também como um meio de interação entre diferentes adeptos do ciclismo. Sem limite de idade e sem contra-indicações, os integrantes do Pedala Joinville comentam os benefícios do cicloturismo. “Consegui controlar o estresse do trabalho e obter maior resistência para atividades físicas”, revela o especialista em materiais Maurício Silva Antão, que foi motivado a participar do grupo por seus amigos de trabalho e por recomendação médica. Conhecer na própria cidade algumas paisagens cujo acesso é restrito aos meios de locomoção menores é outra vantagem proporcionada pelo grupo. “Em um ano de cicloturismo já conheci muitas regiões de Joinville e arredores que não havia conhecido nos 23 anos que moro aqui”, diz o especialista, que já pedalou por Campo Alegre, Schroeder, Corupá, Araquari, Barra Velha, Piçarras, Penha, Armação, Guaramirim, Curitiba, Morretes e Estrada da Graciosa. Ele acrescenta: “Ainda desejo visitar São Joaquim subindo pela Serra do Rio do Rastro.”

Fiscalização e aconselhamento

Dividindo a mesma opinião, o professor universitário Volney Coelho Vicence fala sobre os ganhos que o ciclismo lhe trouxe: “Tenho disposição para tudo, fiz novas amizades, conheci lugares fantásticos e naturais”. Apesar do pouco tempo disponível, Vicence participa do Pedala Joinville e do grupo Fotociclotour nos fins de semana. Já visitou o Recanto Tia Marta, a Serra Dona Francisca, Araquari, Enseada, Vila da Glória, Piraí, Quiriri, Guaramirim, o Vale Europeu na região de Blumenau e muitos outros lugares. O professor pedala desde a infância porque gosta da atividade e diz que se houvesse maior segurança, utilizaria a bicicleta como meio de transporte.

A pequena quantidade de ciclovias da cidade, a falta de continuidade entre elas e o estado precário de conservação tornam as ruas de Joinville inseguras tanto para os ciclistas quanto para os condutores de automóveis. Segundo Valter Bustos, diretor social do MPJ e do Museu da Bicicleta, o principal interesse do movimento é a conscientização das pessoas para a formação de ciclistas cidadãos. “Todas as pessoas que participam do MPJ, sejam homens ou mulheres, o fazem com consciência e porque gostam de pedalar”, afirma. Bustos explica que o grupo visa à segurança dos ciclistas joinvilenses, sejam eles associados ao movimento ou não. Para tanto, os integrantes do grupo estão diariamente nas ruas avaliando a situação da malha cicloviária e produzindo ações que são transmitidas como sugestões para o Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville (Ippuj) e para a Companhia de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville (Conurb). Um dos projetos do Pedala Joinville junto ao Ippuj é uma cartilha com dicas de segurança para a condução correta da bicicleta.

Viagens internacionais

“Para mim, todo dia é dia sem carro”, afirma o estudante de Física Giorgio Ernesto Testoni, que utiliza a bicicleta como meio de transporte diariamente pedalando, em média, 25 quilômetros independente do clima. O estudante, que já pedalou pela Bolívia, Argentina, Uruguai, Chile e pelo sul do Brasil conta que sua história com a bicicleta começou com a necessidade de atravessar a cidade para estudar. “Eu preferia ir de bicicleta do que de ônibus”, diz. Interessando-se pelo cicloturismo, leu livros sobre viagens ciclísticas e quis ir mais longe. Em 2006, fez sua primeira viagem para fora do país, experiência que lhe rendeu uma história de desencontro, dificuldade de comunicação, saudades, mas também muita alegria. Ele afirma que há duas principais vantagens em viajar para outros países: contraste cultural e, no caso dos países que conheceu, opção financeira – não há dificuldades com a desvalorização da moeda. Quanto às hospedagens durante as viagens, ele explica que há um site em que os amantes do cicloturismo podem se cadastrar e conseguir contatos para lhes oferecer a estadia durante um ou dois dias, tempo suficiente para arrumar as malas e seguir viagem.

Testoni quer ainda viajar ao México e visitar a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe. Ele expõe a admiração por um dos companheiros de pedalada, Valdecir João Vieira, 65 anos – mais conhecido como Valdo da Bike – que em 15 de março de 2009 começou a realizar seu sonho: dar a volta ao mundo pedalando. O estudante fala da reação das pessoas sobre as aventuras: “Elas se impressionam, acham que é muita loucura e muito perigoso. A vida é uma grande aventura”, conclui.

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