Revi Bom Jesus/Ielusc

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Matéria 7339, publicada em 23/10/2008.


:Priscila Carvalho

Democratizar os meios de comunicação ainda é desafio

Priscila Carvalho


O anfiteatro do Bom Jesus/Ielusc lotou para a abertura da Semana Acadêmica de Comunicação Social. As atividades iniciaram às 19h, do dia 22 de outubro,com a apresentação do grupo de teatro Arlequim, de Rio Negrinho. O ex-presidente do Dacs (Diretório Acadêmico de Comunicação Social), Jean Knetschitk, trouxe a atração para recepcionar os acadêmicos. O grupo abordou assuntos como preconceito, fofoca, drogas, dengue. Até sobrou um tempinho para o personagem José da Silva, adaptação da história de Joseph Klimber, criação da Companhia de Teatro Melhores do Mundo.

Após o teatro, a “contra-regragem” entrou em ação para ajeitar o palco. Como a peça avançou no tempo, a palestra de Rogério Christofoletti, professor doutor da Univali, iniciou às 20 horas. Concentração de mídias, coronelismo eletrônico (famílias de políticos proprietários de meios de radiodifusão), propriedade cruzada e observatórios de imprensa, e tudo mais envolto na questão da ética nos meios de comunicação foram questões que nortearam a explanação.

Christofoletti também falou da inoperância das agências reguladoras, como Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e das brechas nas leis que contribuem para a continuação dos monopólios nos meios de radiodifusão. No cenário atual, corporações desafiam as leis e influenciam a sua formulação. O professor ressalvou que essa concentração é negativa para os jornalistas, principalmente àqueles que estão em formação, pois existem apenas seis redes de TV em sinal aberto ditando as atitudes no mercado. Com isso, restam poucas vagas de trabalho.

Uma das preocupações na discussão foi a convergência digital, em virtude da proximidade da fusão de duas grandes empresas de telecomunicação e a prisão do banqueiro Daniel Dantas. Juciano Lacerda, professor do Ielusc, ainda destacou: “A privatização das telecomunicações ainda é um capítulo muito obscuro da nossa história”. A cobertura do caso Eloá surtiu algumas análises do palestrante. Para Christofoletti, as grandes emissoras de TV espetacularizaram demais o caso, estrapolando os limites da ética profissional.

Felipe Silveira, integrante da Coisa (Comissão Organizadora Indenpendente da Semana Acadêmica) fez a última pergunta: “Então, o que deu errado no processo de redemocratização?” Para Christofoletti, após 23 anos de redemocratização ainda estamos em fase de transição e nenhuma das mudanças é absoluta: “Só se, ao chegarmos no fim do processo, não conseguirmos mudar nada. Aí, não há mais o que fazer”. Segundo o professor, um dos cenários ideais seria a diversidade de players, no jogo do mercado da comunicação e a mobilização da sociedade civil, como aconteceu em 2006, quando a Rede TV foi obrigada (pelo Ministério Público) a transmitir o programa "Direito de Resposta" no lugar do programa sensacionalista "Tardes Quentes", apresentado por João Kléber.




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