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Matéria 6677, publicada em 11/08/2008.


:Luiza Martin

Fã do Jornal Nacional desenvolve pesquisa sobre os âncoras

Luiza Martin

Maurício Kubrusly, que apresentou o Me Leva Brasil na tevê, é ídolo de Gabriela de Queiroz. Ela partiu da apreciação como espectadora de programas televisivos noticiosos para fazer o trabalho sobre “A performance dos âncoras no Jornal Nacional: uma questão de credibilidade e confiança”. Atrasada devido a delongas na defesa anterior a sua, Gabriela foi orientada por Fernanda Cruz e defendeu sua pesquisa perante a banca formada também por Ângelo Augusto Ribeiro e Maria Elisa Máximo. No anfiteatro, a audiência aproximada era de 20 espectadores. Do público faziam parte a irmã, a madrasta, o pai e os avós, que presenciaram a aprovação da monografia com média 8, no dia 9 de agosto.

Ao ver a avó entrar no anfiteatro, Gabriela ficou com a voz embargada. Retomou o fôlego. Prosseguiu com a apresentação. No término da frase que antecedeu o desfecho dos seis anos que a aluna passou no curso de Jornalismo, Fernanda ganhou ajuda da senhora de Curitiba que não via a neta há quatro meses. A orientadora falava do “processo que diferencia o aluno que entrou do aluno que...". "Saiu", completou Rosy Mary de Queiroz, em uníssono com a professora. A neta de de Rosy Mary iniciou seu trajeto acadêmico em 2002, parou em 2006, mas continuou matriculada na cadeira de monografia. Assim ela manteve o estágio no A Notícia, retomou os estudos no segundo semestre de 2007 e escreveu a pesquisa em 4 meses.

Fernanda foi a terceira a orientar Gabriela na monografia. Luiz Felipe Guimarães Soares, que não leciona mais no Ielusc, guiou a aluna nas leituras do trabalho quando ainda trataria a performance dos âncoras dentro de um viés teatral. Depois de Felipe, teve a vez o ex-professor do Ielusc, Ângelo, que integrou a banca da aluna. Ele criticou a metodologia da análise feita pela recém-formada: “Acho forçado demais provar a teoria com base apenas nas laudas”. Os textos lidos pelos apresentadores do telejornal consistiram no dado empírico principal da monografia. A constatação da aluna apontava que a expressividade de William Bonner e Fátima Bernardes gerava mais credibilidade do que convencimento — ponto de discordância entre Gabriela e o professor.

O matrimônio não foi considerado no estudo da construção de credibilidade, o que fez falta para Maria Elisa. A professora não concordou com a limitação do papel da tevê exposta por Gabriela e argumentou: “A televisão pode ser vivida para a além dela. Não é só um meio individualizante. A tevê é vivida mais na coletividade que no isolamento”. Segundo ela, as informações transmitidas provocam tensionamentos na rotina do telespectador. Maria Elisa elogiou a introdução “muito bem articulada” da pesquisa e comentou que é sempre um prazer dividir uma banca com Fernanda.

O trabalho escrito se fundamenta na construção de categorias para análise dos papéis sociais desempenhados pelos âncoras. Pausas na fala, entonação de voz, gestos e expressões faciais não poderiam ser perdidos nos vídeos estudados. Gabriela frisou que “cada escolha determina uma renúncia”, por isso ela optou por não fazer a análise de recepção com um grupo de espectadores e deixou de lado “sábados de sol, saídas com os amigos para escrever”.

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