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Matéria 6661, publicada em 11/08/2008.


:Luiza Martin

Leonel, que já é repórter de A Notícia, ficou a meio ponto da nota máxima

Aluno é "aprovado de antemão"

Luiza Martin


Sem precisar esperar pela deliberação de uma nota, Leonel Camasão foi considerado aprovado por Samuel Pantoja Lima e Sílvio Melatti logo no início na argüição. Samuel, coordenador do curso de jornalismo, dispensou as formalidades e o suspense. Ao abrir sua fala, considerou o trabalho “aprovado de antemão” com a finalidade de centrar o debate no conteúdo da monografia “Jornalismo e complexidade”. O professor Melatti fez o mesmo, e brincou "Já esperava que poderia aprovar o trabalho antes de lê-lo". A conversa, da qual também participou a mãe de Leonel, Maria Eulália dos Santos, se estendeu por 24 minutos além do tempo estipulado e atrasou outra defesa que ocorreria a seguir, no anfiteatro.

A banca abriu oportunidade para o público se pronunciar. A mãe perguntou ao filho como ele administraria ideologia e rotina de trabalho — da maneira como foram expostas pelo aluno, ambas não conviveriam em harmonia. “Ali não é espaço”, disse Leonel sobre aplicar teorias no jornal A Notícia, onde exerce o ofício de repórter. "Os consumidores esperam que as notícias sejam verdadeiras, independentemente do veículo em questão ser posicionado ideologicamente ou não", disse o recém-formado. Ele acredita que seria rapidamente demitido se confrontasse os preceitos de verdade, objetividade e imparcialidade que permeiam os textos noticiosos.

O modelo da pirâmide invertida ainda não está esgotado para o professor Melatti. Os questionamentos feitos por ele beiraram a estrutura de uma entrevista. “Teu trabalho foi relativizado pelo estudo e vice-versa? Por que recusa o idealismo na busca da imparcialidade?”, foram algumas das ponderações que Leonel respondeu em tom de conversa. Ele reconheceu a existência de limites que cerceiam o desenvolvimento dos ideais da pesquisa no cotidiano de uma redação e admitiu que ser imparcial — "manter uma situaçao de equilíbrio entre fontes divergentes e espaços concedidos" — é necessário para manutenção de seu emprego. Porém, “é muito mais honesto com o leitor dizer qual é o seu lado”, contestou.

“Uma crítica aos mitos profissionais a partir de Edgar Morin” é o subtítulo do trabalho. “O método1: a natureza da natureza”, bem como os volumes 2 e 3, escritos por Morin, foram resenhados a fim de “especular outra teoria do jornalismo”. Samuca, como é mais conhecido o coordenador do curso, concluiu que o livro de Adelmo Genro Filho, “O segredo da pirâmide — para uma teoria marxista do jornalismo”, deveria ter sido aprofundado tanto quanto o de Morin. Segundo o coordenador, não houve um olhar por parte de Leonel que vislumbrasse, na construção de Adelmo, a relação entre sujeito e objeto como geratriz de ideologias.

No auge da desconstrução teórica travada na argüição, quando a prática do jornalismo carecia de um esteio, Samuca fez uma ressalva. “Se você estica o relativismo sobre o conceito de verdade corre o risco de cair no nada. Se nada é possível de ser evidenciado, abrimos mão de fazer jornalismo. Se assim for eu me retiro para plantar batatas em Santarém”, ironizou o coordenador, provocando risos no público. Alguns colegas de Leonel combinaram os momentos das salvas de palma. A platéia o aplaudiu duas vezes, ao final da defesa e após a declaração da nota 9,5. Só a mesa cambaleou perante a banca na manhã de 9 de agosto. Um pé torto (veja imagem abaixo) não impediu que ela sustentasse a carga teórica que os dois doutores e o mestre nela depositavam.



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