Revi Bom Jesus/Ielusc

>>  Joinville - Quinta-feira, 30 de novembro de 2023 - 05h11min   <<


chamadas

Matéria 5963, publicada em 18/04/2008.


:Reprodução/Carolina Wanzuita

A obra é uma crítica ao sentimento de juventude eterna

A arte imita a vida na obra de Oscar Wilde

Carolina Wanzuita


"O senhor dispõe só de alguns anos para viver deveras, perfeitamente, plenamente. Quando a mocidade passar, a sua beleza ir-se-á com ela; então o senhor descobrirá que já não o aguardam triunfos, ou que só lhe restam as vitórias medíocres que a recordação do passado tornará mais amargas que destroçadas.". (O Retrato de Dorian Gray, 1891).

A beleza é efêmera. Esta é a idéia da obra O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. O livro conta a história de Dorian, que se se torna modelo para a pintura do artista Basil Hallward, por ser considerado pelo artista “um Adônis que se diria feito de marfim e pétalas de rosas”. O conflito acontece quando Dorian promete sua alma em troca da juventude eterna: a pintura passa de arte à realidade. As marcas do tempo não são mais retratadas no jovem, mas sim, em seu quadro. Dorian conserva os traços perfeitos desenhados por Basil, e passa sua vida no desespero de esconder a arte, que espelha os traços mórbidos fixados ao longo da vida.

O livro é um confronto entre a imortalidade impossível, a busca amoral pela beleza e pelos prazeres e várias outras impossibilidades. Na época, foi símbolo de uma juventude intelectual “decadente”, cuja estética era até mesmo considerada acima da inteligência. Para o personagem Dorian Gray, "a beleza é uma forma de gênio... mais elevada que o gênio, pois dispensa explicação”.

Além de questionar a beleza, a juventude e os valores morais, o romance traz também um conteúdo homoerótico, pois, implicitamente no texto existe uma paixão platônica de Basil Hallward por Dorian Gray. Na época houve uma polêmica visto que Wilde assumiu, logo quando o livro foi lançado, em 1891, sua relação com o lorde Alfred Douglas. Na obra, o autor expõe também sua teoria sobre arte logo no prefácio: “O que a arte espelha realmente é o espectador e não a vida”.

Para Wilde, “não existe livro moral ou amoral. Os livros são bem ou mal escritos. Eis tudo”. A versão de 251 páginas de O Retrato de Dorian Gray, editada pela Clube do Livro em 1988, se encontra na biblioteca central do Bom Jesus/Ielusc.

800x600. ©2005 Agência Experimental de Jornalismo/Revi & Secord/Rede Bonja.