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Matéria 5527, publicada em 13/02/2008.


:Melanie Peter

O orientador Pedro Ramirez (de camisa laranja) encerra os comentário da banca

Monografia questiona o poder da marca na cerveja

Melanie Peter


A primeira banca de 2008, marcada para às 17h do dia 11 de fevereiro, teve atraso e ausência de público. Cláudio Giglio D’Amato, acadêmico de publicidade e propaganda, dividiu sua apresentação de slides e seu nervosismo apenas com o orientador, Pedro Ramirez, e com a banca, Antônio Pinto e Marcelo Correia. O trabalho “Atributos extrínsecos e a escolha da marca de cerveja” visava investigar a influência e a importância da publicidade na decisão de compra dos consumidores e foi aprovada com nota 7,5.

Além de embarcar na leitura de teóricos como Baudrillard, Featherstone, Tavares e Canclini, estudar o que é uma marca e tentar compreender o consumo na sociedade contemporânea, Cláudio fez uma pesquisa qualitativa/quantitativa com 35 tomadores de cerveja joinvilenses. O objetivo geral era descobrir o peso que os atributos extrínsecos - valores simbólicos atribuídos a um produto - acarretam no momento da escolha entre uma ou outra marca de cerveja.

Conforme a monografia de Cláudio, o resultado da pesquisa comprova o pensamento de Baudrillard: “Não se consome o objeto em si, pela sua utilidade, e sim pelo que ele representa, pela sua capacidade de diferenciar, de remeter o consumidor a uma determinada posição, a um determinado status”. Não restaram dúvidas em relação à enorme influência dos prazeres emocionais do consumo no ocidente.

Conforme relata o acadêmico, boa parte dos entrevistados (aproximadamente 50%) listou a marca Skol como sua predileta, porém, 49% deles, quando participaram de um teste cego, preferiram o sabor da Brahma. “Ficou evidente que a maioria das escolhas não é feita pelo gosto, e sim pelo valor simbólico. Praia, sol e mulher bonita são imagens recorrentes nos comercias de cerveja brasileiros, e pouco se fala sobre questões como o sabor ou aroma do produto”, esclarece Cláudio.

O primeiro argüidor da banca foi o professor Antônio Pinto. Na sua opinião, ficou visível no trabalho um erro de amostragem. Os critérios na hora da escolha de uma marca são diferentes para os homens e para as mulheres, porém não houve uma separação por gêneros. Pinto também relatou ter sentido falta de um capítulo sobre o comportamento do consumidor ou de uma justificativa para a escolha do público-alvo. Ao fim de suas colocações, o professor comentou ainda que o trabalho poderia ter ido mais a fundo. “É importante reafirmar algumas coisas, mas quando terminei de ler me perguntei: e daí?”

Os comentários do professor Marcelo Correia começaram com sorrisos e felicitações. “Sempre temos que parabenizar quem resolve falar de um assunto tão interessante como cerveja”, falou. A principal crítica de Marcelo foi em relação ao uso exagerado de autores citados por outros autores. Segundo ele, o ideal seria buscar o pensamento na sua origem.

Para o orientador do trabalho, Pedro Ramirez, o processo de produção foi difícil, porém, o resultado satisfatório. “O mais complicado foi o pontapé inicial. Apesar de já ter cursado cinco semestres de monografia, Cláudio ainda não tinha uma temática e tivemos que começar do zero", relata. De acordo com Pedro, a maioria dos alunos que pertence à grade antiga, que é o caso de Cláudio, acaba enfrentando dificuldades extras por não ter cursado a disciplina de Monografia I. Cláudio admitiu essas dificuldades.

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