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Matéria 5381, publicada em 22/11/2007.


:Djulia Justen

Professores de português e estudantes de letras participaram da oficina

Uma tarde para voltar a ser criança

Djulia Justen


Brincar com as palavras, devanear, olhar o céu, lembrar da infância e principalmente resgatar a herança poética que se perdeu com a maturidade. Às 15 horas da tarde vaporosa de primavera do dia 21 foi realizada a oficina literária e palestra com a escritora peruana Gloria Kirinus no auditório da livraria Midas. A oficina, voltada a professores de língua portuguesa da rede pública de ensino, foi promovida pelo 4º Prêmio Joinville de Expressão Literária.

A autora de livros de literatura infantil procurou, ao longo das duas horas da oficina, relembrar que todos nós temos a intenção de beleza da escrita. É na infância que brincamos com as palavras e suas sonoridades com adivinhações e jogos. A relação com o mundo e a maneira de vê-lo com os olhos de primeira vez é a essência da escrita. Tanto é que a força da criação vêm da união entre palavra e objeto — na primeira letra da palavra serpente já se tem aspecto do animal. O encantamento com as palavras se encerra quando entramos na escola. “Temos um arquivo milenar de palavras com as combinações mais preciosas, mas apenas usamos da forma mais coloquial, prosaica”, afirma.

Cada participante escolheu uma palavra que remetia à infância. Depois de estimulados pela leitura de pequenos poemas da escritora mineira Adélia Prado, escreveram poemas curtos com base nas palavras escolhidas. Era preciso evitar a rima .“Ela é perversa: força o verso e se perde a essência do poema” , orienta Glória. Outra dica foi com relação à economia de palavras. Optar por palavras dotadas de cargas fortes de sentido dá mais densidade à idéia. Em poucos minutos todos compartilharam seus versos sobre vento, árvore, roda-gigante, boneca, bolo, joelho roxo e barro.

Cartões de cores quentes estavam dispostos sobre a mesa. No verso de cada folha continha definições do Dicionário de Humor Infantil, de Pedro Bloch. Todos foram convidados a pegar um e ler em voz alta. Ao final, a escritora leu trechos da sua mais recente obra “Quando as montanhas conversam”. Não tinha como sair dessa oficina do mesmo jeito que se entrou. O gosto da infância retornou à boca.

800x600. ©2005 Agência Experimental de Jornalismo/Revi & Secord/Rede Bonja.