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Matéria 4813, publicada em 05/09/2007.


Professoras do Ielusc comentam participação no 30º Intercom

Melanie Peter

Reflexões sobre questões vividas na sociedade atualmente, entre elas, a influência da internet e das indústrias digitais nos processos de comunicação e as consequências do surgimento de novos meios, como por exemplo, a televisão digital, estiveram permeando a extensa programação do 30º Congresso Brasileiro da Comunicação - Intercom 2007. Aproximadamente 4 mil professores, pesquisadores e estudantes das áreas de Relações Públicas, Rádio, TV e Jornalismo, estiveram em Santos (SP), entre 29 de agosto e 2 de setembro. O tema central foi “Mercado e Comunicação na Sociedade Digital”.

Ampliar e adquirir novos aprendizados, refletir, convergir idéias, conhecer novos livros e autores, desfrutar da feliz possibilidade de fazer amigos, estas foram as principais oportunidades  que as professoras de Comunicação Social do Bom Jesus/Ielusc Lígia Zuculoto e Fernanda Guimarães Cruz tiveram no evento.

Lígia já participou outras vezes do Intercom e diz que, este ano, depois de defender sua tese de mestrado, esteva mais segura para as discussões. Ela se inscreveu no núcleo de pesquisa de Comunicação Visual, coordenado por Alexandre Figuerôa Ferreira, professor da Unicamp. Dentre os encontros que prestigiou, o de História do Cinema Brasileiro foi o mais produtivo.

A montagem no curta-metragem Linguagem, de Orson Welles, o cinema educativo e o cinema nacional como construtor da identidade nacional foram alguns dos assuntos debatidos. Depois de aproximadamente três horas de conversa com pesquisadores de várias áreas e regiões, a professora começou a ver a sétima arte com outros olhos e comenta que as diversas abordagens a fizeram enxergar um possível trilho para o seu doutorado. “Até me animei a fazer uma disciplina como aluna ouvinte na UFSC”.

Lígia também participou do sub-núcleo de Música e Meios Audiovisuais e assistiu à apresentação de trabalhos sobre a mistura da videomontagem com a música eletrônica, sobre o videoclipe como semblante midiático e sobre uma análise contexto-textual da autoria de Björk e Michel Gondry em Human Behaviou.

Será que a televisão aberta vai resistir depois da chegada da televisão digital? A indagação esteve presente em muitos momentos do núcleo de Comunicação Audiovisual. Segundo Lígia, a opinião quanto ao questionamento chegou perto da unanimidade: a TV aberta não vai morrer! Para ela, todas as mídias vão continuar sendo importantes por um bom tempo. “O Acre é um exemplo. Para chegar lá, é necessário atravessar toda a selva amazônica, e o rádio continua sendo a TV de quem vive naquela região”, esclarece.

O único ponto negativo do congresso, segundo a professora de publicidade, foi o fato das atividades estarem divididas em três universidades diferentes. Como os campi eram distantes entre si, a locomoção acabava ficando difícil e cara. Ela diz que no Intercom do ano passado – em Brasília-, todas as atividades ficaram concentradas na UNB.

Diferente de Lígia, Fernanda estava participando pela primeira vez do Intercom. Inscrita no núcleo de pesquisa de Teoria da Comunicação, ela procurou assistir ao máximo de apresentações possíveis e diz que havia uma grande concentração de doutores no grupo. Muitas das discussões partiam de indagações como: existe realmente o campo da comunicação? O que é esse campo ou quais são os efeitos do próprio campo sobre a comunicação? Qual a importância da pesquisa no campo da comunicação?

Fernanda traz as discussões para o Ielusc e propõe uma reflexão sobre até que ponto as monografias atualmente produzidas estão falando “a partir” do campo da comunicação e não apenas usando a comunicação como um anexo ou como permeadora do discurso.

Segundo a professora e mestre em Ciências da Comunicação, um dos artigos que gerou bastante polêmica foi o do ex-professor do Ielusc, Pedro Russi. O título “Angulações reflexivas sobre um “não saber metodológico” revelava uma análise minuciosa de ementas das disciplinas de metodologia da pesquisa de diversas universidades do país. Pedro também pesquisou sobre como os professores estão aplicando essas ementas e como está a prática do ensino da pesquisa no país.

Fernanda apresentou seu artigo “Particularidades da Socialização Midiatizada Televisiva na Recepção de Adolescentes de Instituições de Acolhimento” no sub-grupo de recepção. Para ela, a experiência foi muito rica e extremamente importante para a sua trajetória como pesquisadora. Submeter o trabalho a outros olhares, ouvir opiniões, ver coisas que em determinado momento já não via mais também a fizeram pensar em novas articulações e possíveis caminhos a serem traçados rumo ao doutorado.

Ela diz que as discussões entre o grupo continuam e ficou combinado para o próximo encontro, em Natal (RN), uma maior articulação. A idéia é que os pesquisadores leiam os trabalhos dos colegas antes do congresso e contribuam com considerações por escrito. Fernanda ressaltou ainda que a participação no Intercom foi uma ótima oportunidade para conhecer novas bibliografias e quem sabe estar trazendo algumas delas para a biblioteca do Ielusc. "Nesse tipo de encontro, a troca não é somente teórica, mas também cultural", finaliza.

 


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