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Matéria 4720, publicada em 20/08/2007.


Banca díspare, nota alta

Sílvio Melatti


O veterano Ronaldo Corrêa, que ingressou no curso de comunicação há sete anos e tem uma longa carreira como jornalista e assessor de imprensa, defendeu sua monografia de PP (ele trocou de curso) na sexta-feira diante de uma banca díspare. De um lado, o professor elogioso Marcelo Correia; de outro, o crítico Antônio Pinto. Mesmo assim, a avaliação final, feita a portas fechadas, como é de praxe — e da qual participou o orientador André Scalco — resultou numa nota mais representativa dos argumentos de Marcelo do que dos de Antônio, pelo menos do ponto de vista da platéia que lotou a sala D-4: Ronaldo foi aprovado com 8,3.

Com “Análise da presença da responsabilidade social no Brasil e a realidade local”, Ronaldo traçou um panorama do tema, amparado numa pesquisa de campo e no levantamento de casos. O ponto crucial do trabalho, que motivou a crítica central de Antônio Pinto, foi anunciado pelo autor no começo da apresentação. “Não quis estabelecer juízo de valor”, antecipou Ronaldo ao explicar como havia procedido. Esse distanciamento, para Antônio, foi excessivo, e culminou numa análise “passiva”, “simplista”, em que “tudo é maravilhoso”. A falta de senso crítico originou uma situação paradoxa: um publicitário cobrando olhar jornalístico de um jornalista candidato a publicitário. “Senti falta do Ronaldo jornalista aqui, que poderia ser mais crítico”, disse o professor Antônio Pinto.

Essa discussão, ocorrida imediatamente antes de a palavra ser aberta ao público, estimulou a participação da platéia, formada na maioria por professores e alunos de jornalismo. O debate girou em torno do posicionamento do autor, explorando os limites entre neutralidade e senso crítico. Como o próprio Antônio Pinto já havia adiantado que “as críticas não invalidam o trabalho, que é bom”, os elogios de Marcelo Correia acabaram ganhando mais peso na composição da nota.


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