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Matéria 4695, publicada em 16/08/2007.


Ousadia de "enfrentar" Nietzsche é valorizada por professores

Rafael Alonso


Pelo menos por um aspecto a apresentação de Cristiane Alves Pereira (“A crise do espanto — uma análise da possível morte do sensacionalismo na TV”) foi atípica. A futura jornalista gastou apenas três minutos para explanar sobre a pesquisa. E durante esse período ainda incluiu um vídeo do programa “Brasil Urgente”, da Bandeirantes, representando o sensacionalismo, e um parágrafo de “Genealogia da Moral”, de Nietzsche, lido pelo orientador Luiz Felipe Soares, significando o caráter moral das discussões sobre a televisão, na visão da autora. Cristiane limitou-se a dizer que as noções de justiça, aplicadas por certos programas e discursos de ONG's, são todas de ordem moral e, como base da reflexão, utilizou fundamentalmente o autor alemão.

A argüição iniciou pela professora Daisi Vogel, da UFSC, convidada especial, que ressaltou a ousadia de basear um trabalho em Nietzsche, elogiando a responsabilidade da abordagem. No entanto, questionou uma citação de Roland Barthes, considerada inadequada, e argumentou sobre a possibilidade de apropriar o sensacionalismo como gênero jornalístico.

O professor Ângelo Robeiro, titular das disciplinas de TV do Ielusc, confessou o desafio de avaliar um ensaio pautado em Nietzsche, autor que tem pouca familiaridade. Ribeiro discutiu pontos referentes à sua área de estudo, como os conceitos de “imprensa de referência” e “jornalismo popular”. De acordo com ele, alguns dados de nível mais empírico também deixaram a desejar.

Cristiane pouco rebateu os comentários da banca, exaltando a luta por não se posicionar durante o trabalho (evitar o moralismo que combateu). De acordo com a jovem, a grande contribuição de seu ensaio é debater sobre a atuação da mídia. Em tom ameno, o orientador confirmou a aprovação, agraciada com nota 8,5.

Ouça a entrevista em que a autora comenta as reações da banca, a relação com Nietzsche e o futuro no jornalismo

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