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Matéria 4337, publicada em 16/05/2007.


:Rayana Borba

Jovens brasileiros e da América Latina lotaram o Pacaembu

O papa é pop?

Cláudia Morriesen

O estádio do Pacaembu está lotado, a platéia se distingue pelo colorido das camisetas, gritos cortam o ar na tentativa de chegar ao palco e quarenta mil jovens aguardam a presença principal da noite. Poderia ser um jogo de futebol, poderia ser um show internacional, mas nenhum desses eventos é o motivo pelo qual jovens do país inteiro estão reunidos ali. O motivo é um alemão de 80 anos chamado Joseph Ratzinger, mais conhecido mundialmente como papa Bento XVI.

Entre os jovens presentes no local estavam Daniela de Tofol e Rayana Borba, ambas acadêmicas de jornalismo do Ielusc. Elas foram selecionadas para duas das 40 mil vagas distribuídas no Brasil e na América Latina para participar do encontro da juventude católica com o papa. Em Joinville, 150 vagas foram divididas nas paróquias da cidade e da região entre os jovens com maior participação dentro da igreja. Era o caso das estudantes: Rayana Borba, 19 anos, é coordenadora da Missão Dehoniana Juvenil, além de fazer parte de outros grupos na paróquia Santuário Sagrado Coração de Jesus. Daniela, 20 anos, é coordenadora do grupo de jovens da igreja matriz da paróquia São José Operário, com dez centros religiosos em Joinville.

Ser escolhida para viajar a São Paulo não foi, no entanto, a parte mais difícil. Para assistir ao evento com o líder máximo da religião católica, elas viajaram durante dez horas e esperaram mais seis dentro do estádio: os portões foram abertos ao meio-dia, mas o papa só chegou às 18 horas. Segundo Daniela, a cerimônia durou 37 minutos “exatos”. Ainda que, para ela, o evento não possa mais ser chamado de cerimônia: “Imaginei que ele teria uma postura sisuda, discutiria temas mais sérios, mas me surpreendi”, relata. “O papa sorria o tempo todo, falou somente sobre temas voltados aos jovens, como drogas, desemprego, vida. Completamente diferente da imagem que eu tinha ao vê-lo na mídia”. Quanto ao comportamento dos jovens brasileiros, ela afirma que não foi exagerado nem pareceu irritar o religioso, apesar de em alguns momentos ele parecer assustado com a recepção. “Às vezes a multidão gritava, aplaudia e ele arregalava os olhos, admirado, mas logo abria os braços como se estivesse agradecendo”.

Para Juciano Lacerda, professor de comunicação social do Ielusc, esta reação do público ao participar de um grande evento religioso se deve ao sincretismo brasileiro. “Em determinados momentos, as pessoas pareciam estar em um jogo de futebol”, conta ele, que participou da abertura da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribe, em Aparecida, no dia 31. “Mas eu também vi muita solidariedade entre a platéia, um ajudando o outro e se organizando para assistir a missa”.

Católico praticante, Juciano afirma que o mais interessante foi verificar as diversas tendências católicas reunidas na missa campal. “De qualquer forma o que senti foi a presença da fé”, analisa, “mesmo que as formas de enxergá-la fossem diferentes”. Ele, que já participou de diferentes grupos — como missionários e carismáticos — hoje prefere fazer trabalhos dentro da igreja: atua como professor de comunicação pastoral e faz assessoria para as igrejas, entre outros serviços voluntários, ainda que devido ao doutorado dedique menos tempo para estes trabalhos.

Quanto à impressão passada pelo papa Bento XVI, Juciano revela que ele mostrou um lado pouco divulgado pela cobertura da imprensa. “Deram muita atenção ao discurso político, quando o que ele mais reforçou foi a preocupação com os pobres”, conta ele, para quem o Ratzinger da época da Congregação para doutrina da Fé já não existe mais. “O peso do papado o obrigou a ser mais dialogal. Agora ele procura difundir a doutrina Deus é amor”.

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