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Matéria 1994, publicada em 10/04/2006.


:Bruna Nicolao

Orua em exposição no Cau Hansen

Espiritualidade como estilo de vida

Bruna Nicolao

Intensa espiritualidade, cultivo de tradições e luta pela defesa dos recursos naturais são para Mauro Scholl, 41 anos, a forma perfeita de se viver em cidadania e harmonia, buscando o aprimoramento máximo de qualidade de vida e sustentabilidade na sociedade. Agrônomo, naturopata (desvenda fundamentos da medicina natural), terapeuta, educador ambiental, massagista, tarólogo e artesão, Orua, nome espiritual de Mauro, é educador do instituto Ânima, criado em 1979 para “conscientizar a humanidade e defender uma cultura sustentável que valorize todos os recursos que a natureza oferece”.

A Associação Ânima de Cultura e Desenvolvimento Sustentável é uma ONG que atua no sul do Brasil, principalmente nos estados de Santa Catarina e no Paraná, e na Amazônia. Destacou-se participando na criação da Lei Estadual dos Agrotóxicos. Incentivou a disseminação da agroecologia e a introdução de uma ciência agronômica mais sustentável em programas de treinamento de professores, profissionais liberais e técnicos de governos e na formação de grupos acadêmicos sobre agricultura biodinâmica, educação ambiental, permacultura, terapias naturais e agroecologia.

Orua transmite tranqüilidade. Tem olhar e sorriso pacífico. Usa roupas leves e claras típicos de um ambientalista. Graduou-se em agronomia pela UFPR (Universidade Federal do Paraná). Fez cursos espirituais e hoje atende pessoas que queiram fazer meditação, massagem, terapias em geral, além de lecionar cursos no instituto Ânima em Florianópolis, onde vive.

Com o pescoço coberto de colares de sementes, como forma de trazer “energia espiritual”, Orua esteve presente no V Congresso Ibero-americano de Educação Ambiental, expondo a arte das sementes em forma de colares, pulseiras e brincos. Ele costuma participar de congressos como artesão para obter contato com as pessoas da área e que todos possam admirar a obra artística das sementes. O educador ambiental e mais 15 participantes da ONG defendem a idéia de que os transgênicos destroem as sementes tradicionais. “As florestas estão sendo destruídas. Lá existem plantas ornamentais, animais selvagens e as sementes que dão origem ao artesanato”, explica Orua.

O instituto já tem um projeto em andamento com o governo do Paraná para aprovar um curso superior de educação ambiental que teria como base a reciclagem, agricologia, uso adequado dos recursos naturais, nutrição vital, medicina natural e permacultura. Esta última baseia-se na prática de "cuidar da terra, cuidar dos homens e compartilhar os excedentes" (quer sejam dinheiro, tempo ou informações). A permacultura usa intensivamente todos os espaços através da cooperação entre os homens para resolver os grandes e perigosos problemas que hoje assolam o planeta.

Nessa prática, em um hectare de terra pode ser produzido 30 toneladas de alimento. E aí entra a idéia das ecovilas. Esses lugares reúnem famílias para morarem no mesmo pedaço de terra, mantendo um ritmo de trabalho coletivo de agricultura, sem a intenção de ganhar dinheiro. Apenas morar e comer bem entre encontros e movimentos espirituais. Já são cinco ecovilas no Brasil. Ao todo, 40 famílias convivem nesse estilo de vida. Em Santa Catarina, há uma ecovila em negociação na Praia do Rosa, região da grande Florianópolis.

“É uma visão gandhiana. Um desafio de mudar o mundo. Poderíamos tentar e criar automóveis com bancos de fibras naturais, couro vegetal, biocombustíveis, óleos vegetais, sem voltarmos na idade da pedra”, conta Orua. “Procurar manter uma alimentação leve, nutritiva, natural e integral. Ou pelo menos conversar e debater em palestras, aulas de yoga e meditação sobre tudo isso”, finaliza.

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