Revi Bom Jesus/Ielusc

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Matéria 1820, publicada em 20/03/2006.


: Montagem de Leonel Camasão

Tony, Jean, Bonnie e O Vingador, a equipe do Segunda Mão

Jornal mural satiriza problemas do Ielusc

Leonel Camasão


Segundo semestre de 2005. Surgem, pelas paredes do Ielusc, folhas impressas em formato A3, espalhadas e afixadas com fita. Qualquer lugar era lugar: pilares, corredores, escadas, murais da cantina. Estudantes e professores perceberam o novo veículo; e a curiosidade — qualidade primordial do jornalismo — correu a passadas largas. Não raro era ver alguém parado em frente ao Segunda Mão (SM), apreciando os textos que pareciam feitos de improviso.

Vieram os primeiros burburinhos sobre o número 1, e o Departamento de Comunicação e Marketing (DCM) retirou os jornais e proibiu as paredes, lugar natural de divulgação do jornal. Após o arranque (das folhas), eles sugeriram que o SM utilizasse os murais da instituição, mediante o carimbo de controle. Desse momento em diante, as pautas do SM foram direcionadas aos dilemas ielusquianos. Iniciaram pela proibição do Orkut nos laboratórios de informática.

Com o tempo, os textos melhoraram. As boas-vindas aos calouros (“Willkommen”) marcaram o avanço do periódico, que tirou férias junto com os alunos. Hoje, o Segunda Mão é produzido e impresso fora do Ielusc, em dois pares de folhas A4, pela Editora Segunda Mão S.B.A. (Sociedade Bem Anônima).

Enquanto apurava os fatos sobre essa matéria, avistei um aluno lendo o SM. Norberto Pabst, 21 anos, do sétimo período de jornalismo. “O que você acha do Segunda Mão?”, perguntei. “Democrático, apesar de satírico”, ele disse. Norberto afirma que o Primeira Pauta sempre teve problemas, e que o SM vem como um análogo ao jornal-laboratório. “É um produto satírico em relação a todos os veículos de curso, como o PP e a Revi”.

A equipe

Bonnie Parker, Tony Montana e Jean Valjean, pseudônimos dos repórteres do Segunda Mão, cederam 15 minutos de seu tempo escasso em entrevista a este humilde repórter. Os nomes pretensiosos remetem a grandes mitos e lendas (Bonnie Parker, do clássico do cinema "Bonnie Clide"; Tony Montana, dos filmes de faroeste; e Jean Valjean, personagem de “Os miseráveis”, de Victor Hugo). O Vingador (do clássico vilão do desenho animado Caverna do Dragão) não apareceu. O editor-chefe do jornal preferiu não divulgar seu rosto à Revi, e manter o suspense. Abaixo, segue a entrevista com os integrantes do SM.

REVI: Como nasceu o Segunda Mão?

Jean Valjean: O Segunda Mão nasceu de uma boicotada no Primeira Pauta (PP). Tínhamos um projeto de fazer um PP mais escrachado, mais satírico. No meio do caminho, na implantação do projeto, boicotaram a idéia e...

REVI: Quem boicotou?

Jean Valjean: Um sujeito aí... Então nós, a equipe de segunda mão do PP, começamos a editar o SM. Começamos com notícias engraçadas, e quando começaram a arrancar os jornais, focamos mais nos problemas do Ielusc.

REVI: Então o carro-chefe da editoria é o Ielusc e suas peculiaridades?

Tony Montana: A idéia é tirar uma palha da estética jornalística, mostrar os erros que existem. Por exemplo, ninguém falou nada quando uma edição do PP foi para a impressão e dois mil exemplares foram pro lixo. Não se discutem os erros, retiram o valor do aprendizado do erro. Também não há um jornal de parede sério aqui, então preenchemos esse espaço.

Jean Valjean:O Ielusc é um prato cheio para boas pautas. O legal é que dá uma polêmica absurda, as pessoas mandam e-mails para nós (segundamaoo@gmail.com) e discutem muito o trabalho que a gente faz. Elas dizem que isso não é jornalismo.

REVI: Porque os pseudônimos?

Tony Montana:A idéia não é se esconder, é incorporar o personagem. Vários escritores famosos publicaram suas melhores obras assinando com pseudônimos.

Jean Valjean: objetivo principal é ser mais lido que o PP. Claro, o PP tem muito mais circulação que o SM, mas nosso jornal é muito mais comentado e debatido.

Bonnie Parker:Temos dificuldades para produzir porque poucos computadores imprimem em A3. Começamos a fazer as edições em casa, em A4 mesmo. A idéia agora é levar o SM para a internet, com um blog.

REVI: Hoje, vocês estão utilizando apenas o mural do DCE para publicar o SM. Porque vocês pararam de usar os murais da instituição?

Jean Valjean: Estávamos preocupados com a nossa independência. Essa coisa de ter que pegar carimbo no DCM... Eles até tiveram uma reunião sobre nós, para ver como agir em relação ao SM.

REVI: Agora, a pergunta que vem me corroendo. Como foi a entrevista com o HAL2006?

Tony Montana: Foi difícil encontrá-lo para a entrevista. Mais difícil ainda foi conseguir a foto com o HAL2006, foi um verdadeiro trabalho de paparazzi. Ainda mais se o HAL2006 é engajado no movimento revolucionário.

800x600. ©2005 Agência Experimental de Jornalismo/Revi & Secord/Rede Bonja.