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Matéria 1758, publicada em 10/03/2006.


Um balanço das monografias

Norberto Pabst

A estudante de jornalismo Lenise Faraj, do Instituto Superior e Centro Educacional Luterano Bom Jesus/Ielusc, apresentou, dia 24 de fevereiro, no Anfiteatro da instituição, o resultado de sua pesquisa sobre “O discurso contra a obrigatoriedade do diploma para jornalistas”. Criticando os artigos contrários à exigência do certificado publicados no site Observatório da Imprensa, e baseada em teorias de Nelson Traquina, a aluna defendeu a importância da formação profissional e a exigência do diploma.

Em 2003, a juíza federal Carla Abrantkoski Rister, da 16ª Vara Cível de São Paulo, suspendeu a obrigatoriedade do diploma para a obtenção do registro profissional de jornalista no Ministério do Trabalho. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) recorreu e a a formação superior voltou a ser exigida após aprovação unânime do recurso pelo juiz Manoel Álvares e pelas desembargadoras Salete Nascimento e Alda Basto, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região de São Paulo, em 26 de outubro de 2005.

A movimentação jurídica agitou representantes da Fenaj e dos sindicatos da categoria de todo o país, motivando Lenise, que já é formada em Direito, a analisar as opiniões dos intelectuais e construir seu objeto de pesquisa. Sua conclusão foi de que os 19 artigos publicados no Observatório da Imprensa contrários ao diploma eram superficiais e que atendiam o interesse dos próprios autores.

Lenise diz acreditar que a profissionalização da classe é essencial, uma vez que o estudante seja instruído ao reconhecimento de um código ético, a como proceder diante da informação, e motivado a narrar os fatos de forma coerente e precisa. Porém, a estudante reconhece a necessidade de aperfeiçoar a Academia. “Mais de 51% das escolas de Jornalismo do país foram reprovadas no último provão”, afirma, ressaltando que o dado é semelhante em outros cursos superiores como, por exemplo, a Medicina.

O presidente da Fenaj, Sérgio Murillo de Andrade, fez parte da banca avaliadora ao lado de Luis Fernando Assunção, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. Sérgio Murillo ficou satisfeito com a atitude da estudante de firmar uma posição na pesquisa, ainda mais por se tratar de um conflito histórico. A maior crítica do presidente da Fenaj se restringiu à apresentação: “é uma pena que não foi condizente à qualidade do trabalho. Ficou muita confusa para o público aqui presente”.

Luis Fernando foi igualmente objetivo. Motivou Lenise a dar continuidade à pesquisa, principalmente no aprofundamento da análise da hierarquia de poder que a profissão mantém. “A questão do quarto poder é importantíssima na discussão do jornalismo”, enfatiza.

Plágio, reprovação e mudança

A semana que antecedeu o Carnaval colocou à prova os novos profissionais de jornalismo e publicidade e propaganda que se formarão no Bom Jesus/Ielusc. Dos dias 20 a 24 de fevereiro estavam agendadas 17 defesas de monografias, mas um caso de plágio, dois cancelamentos de bancas e uma reprovação surpreenderam os alunos.

Uma estudante de publicidade cometeu plágio. Ela discutiria o tema “O mito da comunicação como fator de construção de marca”, mas o trabalho deverá ser modificado. A acadêmica foi barrada pela banca e recebeu uma advertência escrita da coordenação do curso.

As situações desconfortáveis seguiram com um estudante de jornalismo, que teve seu texto “O retorno institucional do marketing esportivo: Malwee” reprovado, antes mesmo de ir à defesa. A banca avaliadora, formada pelas professoras Laura Freitas e Samanta Tassotti, exigiu a recomposição do trabalho. Outra aluna de jornalismo não obteve sucesso na realização da monografia e recebeu nota 6,0, num trabalho sobre “Comunicação e hip-hop: a identidade do rap em Joinville”.

Os demais estudantes apresentaram pesquisas dentro dos padrões exigidos, porém a média das notas foi mais baixa em relação aos anos anteriores. No caso do jornalismo, as notas mais altas foram as de Lenise Faraj, que analisou o discurso contrário a exigência do diploma para jornalistas, e Fernanda Witeze, com “A cobertura das eleições municipais de 2004”. Ambas receberam 9,0. Os estudantes de publicidade e propaganda alcançaram médias superiores. Destaque para o trabalho de Milena Freitas, “Visão de empresários sobre posicionamento”, o qual obteve nota máxima.

Para o professor Pedro Russi, está começando um caminho de iniciação científica interessante. No curso de jornalismo, as notas dos aprovados se condensaram entre 7,0 a 9,0, prova da existência de uma cobrança mais intensa da produção acadêmica. “Claro que temos que trabalhar também em outras dimensões, além da exigência na banca. Por exemplo, devemos instigar propostas e temas de pesquisa, processos metodológicos e fazer experimentar o ato da pesquisa”, propõe. Pedro ainda vê a monografia como um desafio tanto para os alunos quanto para professores. “Tentar não cair nas receitas também é pesquisa, e resta ao orientador buscar novos caminhos conforme a proposta de investigação do estudante”, completa.


Trabalho produzido para a disciplina de Redação Jornalística 6, ministrada pelo professor Jacques Mick no primeiro semestre de 2006

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