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Matéria 1579, publicada em 28/10/2005.


Praça de alimentação da instituição é a única não terceirizada

Erivellto Amaranth


Variedade de produtos e qualidade do ambiente não são problemas para a praça de alimentação da FCJ (Faculdade Cenecista de Joinville) e para o Colégio Elias Moreira, localizado no bairro Anita Garibaldi. Os alunos do ensino básico e os acadêmicos do ensino superior reclamam mesmo é dos preços. “Encontro praticamente tudo o que eu preciso. O atendimento é razoável, embora pudessem ter mais pessoas trabalhando. Já os preços, esses são muito caros”, afirma a estudante da 7ª série Jéssica Caroline Santiago, 13 anos. Para Débora de Souza Jacob, também da 7ª série, os funcionários atendem bem, “mas o valor dos produtos podia ser mais baixo”.

Para atender os quase 4 mil alunos matriculados no colégio e na faculdade – 2.500 no ensino infantil, fundamental e médio e 1.350 nos cursos de graduação e pós-graduação –, a instituição conta com o auxílio da nutricionista Michele Negherbon Duarte, 25 anos, responsável pela seleção do cardápio oferecido na cantina. “Nossa preocupação é com a alimentação dos alunos. Elaboramos um menu respeitando cada faixa etária”, explica. Para as crianças do ensino infantil até a 4ª série, nada de refrigerante, bala, chocolate e frituras. Os intervalos de aula dos pequenos são diferenciados, sempre antes que os demais. Durante todo dia, as duas prateleiras cobertas de guloseimas ficam viradas para a parede, exposto para o público está apenas um mural explicando a lei n° 12.061, aprovada na Assembléia Legislativa de Santa Catarina em 18 de dezembro de 2001, que restringe a comercialização de lanches e bebidas pouco nutritivos para as crianças de 1ª a 4ª série. Quando a lei passou a ser cumprida no Colégio Elias Moreira, em 2003, os alunos não gostaram. “Nos primeiros dias foi um pouco tumultuado, depois eles entenderam e se acostumaram”, justifica Michele Duarte.

A praça de alimentação conta com dois bufê, um para frios e outro aquecido. A partir das 11 horas é oferecido o almoço exclusivo para os pais e crianças do período integral. São três tipos de carne, seis de salada, arroz, feijão, massas (macarrão, lasanha) e um prato especial (exemplo: dobradinha). O prato é pesado, um quilo custa R$ 10,50. Os lanches de chapa (x Salada), sopas, sanduíche natural, salada de frutas, assim como os assados e o almoço são feitos na própria cozinha da cantina, que conta com uma cozinha industrial completa (fogão, forno, chapa) e ainda uma câmara fria, para guardar os congelados. “Para os alunos do ensino médio e superior, no período noturno, ‘tudo’ é permitido”, diz a nutricionista. As frituras (coxinha, risoles) chegam prontas às 18 horas e são oferecidos somente à noite.

Diferentemente da maioria das cantinas e lanchonetes das instituições de ensino de Joinville, a praça de alimentação que atende o Colégio Elias Moreira e a FCJ não é terceirizada. A própria instituição controla o estabelecimento. Vinte funcionários se revezam das 6h30 às 21h45.Durante esse tempo são atendidos aproximadamente 1.500 pessoas, entre alunos, pais e funcionários. A área é bem distribuída. São quase 60 mesas de quatro cadeiras cada, das quais 15 ficam localizadas em uma varanda. Todos os dias são devorados cerca de 250 pastéis assados e 270 croissants. Para ajudar a digestação são consumidas 1.400 bebidas, a maioria refrigerantes e chás.

Na ACE os serviços da lanchonete são terceirizados

Na Associação Catarinense de Ensino (ACE) a lanchonete, ao contrário da praça de alimentação da FCJ, é terceirizada. O proprietário, Miguel Castilho Alonso, 67 anos, mesmo desconhecendo os artigos da lei estadual criada em 2001 garante que já ouviu falar da legislação e procura cumpri-la. “Sei que existe uma lei que proíbe a venda de baboseiras para as crianças do primário, então só vendo essas guloseimas para os alunos mais velhos e universitários”. Outra preocupação é com os salgados: “Não vendo nenhuma fritura, aqui tudo é assado. Chiclete só sem açúcar”, justifica seu Alonso enquanto tirava do forno oito pães de batata que acabara de assar.

São quatro fornos elétricos (desses comprados em lojas de eletrodomésticos), quatro estufas, três freezer e duas geladeiras. Essa é a estrutura usada para alimentar aproximadamente 150 alunos que procuram a cantina todos os dias, das 6h30 às 10 horas e das 14h40 às 21h10. Em média são consumidos de 50 a 60 assados por dia, são cerca de 20 croissants e 15 pães de batata. Entre as bebidas, o refrigerante é o campeão de vendas: em torno de 25 latinhas todos os dias. O chá vem em segundo.

O espaço físico para atender os alunos é muito pequeno. São apenas quatro mesas elevadas aproximadamente 1,2 metros do chão, sem nenhuma cadeira. Para o proprietário, o espaço não é nenhum problema: “Os estudantes compram o lanche aqui e têm o pátio e toda a área externa da instituição para comer. Acho que não é necessário um lugar próprio para se alimentarem”.

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