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Matéria 1427, publicada em 20/09/2005.


:Jessé Giotti

Sílvio Jacon no estúdio da Transamérica

Radialista fala sobre experiência profissional

Erivellto Amaranth


“Quando era jovem, o rádio era tudo pra mim. Hoje o veículo não está dando mais respaldo, não te pagam bem”. É com essa frase que o radialista Sílvio Jacon, 37 anos, define a atual fase do rádio brasileiro. Nascido em Curitiba, confessa que desde criança gostava de ouvir música e já curtia rádio: “Acho que estava no sangue. A primeira coisa que peguei quando moleque foi um LP”. Com o sonho de ser locutor, Jacon fez o seu primeiro teste para trabalhar no rádio ainda no colegial. Sua primeira experiência com o veículo foi frustrante. “Quando terminei de gravar o piloto, Júlio César, então coordenador da Rádio Litoral Sul de Paranaguá (PR), disse que eu não tinha perfil para ser radialista, era melhor procurar outra profissão”. Mas Sílvio Jacon não desistiu.

Concluiu os estudos, formando-se técnico em contabilidade, e começou a trabalhar em 1988 em uma loja de material de construção, sempre com o objetivo de alcançar os microfones de alguma emissora. Em 1991, recebeu a ligação de um amigo anunciando que uma rádio de Maringá, no norte paranaense, estava precisando de locutor. Não deu outra: fez o teste, passou e começou a carreira de comunicador na Rádio Alternativa FM. Ele relembra como foi o dia de estréia: “Não fiquei nervoso, claro que estava ansioso. O mais emocionante foi abrir o microfone da rádio. Ainda hoje você sente um arrepio quando vai entrar no ar.”

Sílvio Jacon ficou apenas oitos meses na emissora. No dia 1º de abril de 1992 veio para Joinville e começou a trabalhar como locutor oficial da Rádio Cidade FM, do grupo Eldorado, então líder de audiência no segmento pop. Em dezembro do mesmo ano voltou para Curitiba, ficou dois meses na Rádio Alternativa FM e, em março de 1993, desembarcou novamente na Cidade dos Príncipes para trabalhar na Rádio 91,1 FM, atual Transamérica. Mais uma vez ficou pouco tempo em Joinville. Devido a problemas de saúde da mãe, foi obrigado abandonar a 91,1 e voltar para Paranaguá. Chegando lá, começou a trabalhar na Rádio Litoral Sul, ironicamente a mesma emissora na qual fez o primeiro teste e “revelou” sua inaptidão para o veículo. Essa também foi a rádio em que trabalhou por mais tempo (seis anos). “A Litoral Sul foi uma escola para a minha carreira. Lá eu fiz um pouco de tudo. Trabalhei como programador, coordenador, subgerente, locutor, repórter. Vi a emissora passar do pop para o brega”, relembra.

No início de 2000, Jacon tomou uma séria decisão: “Chega desse país, quero ir embora do Brasil”. Seu destino foi Portugal. No primeiro mês ficou lá sozinho. Logo depois, a mulher e o filho Vitor também atravessaram o Oceano Atlântico. A caçula Maria Clara nasceu meses depois em solo português. Começou a trabalhar com telemarketing. “Foi o pior emprego da minha vida”, confessa. Como aconteceu em outros locais, Jacon logo saiu da empresa. Semanas depois foi “bater na porta” da Rádio Cidade FM, a estação radiofônica de maior sucesso em Portugal e totalmente ancorada por brasileiros. Ali, fazia locução. “A marca da Rádio Cidade abria todas as portas”, revela. Em 2004 a emissora lusitana passou por uma reformulação editorial e literalmente expulsou todos os comunicadores brasileiros, ficando somente com a voz dos nativos portugueses.

Em maio de 2004, Jacon e a família voltaram para Joinville. Dias depois ele assumiria os microfones da Rádio Transamérica 91,1 FM, onde trabalha até hoje. Quando perguntado sobre como define a atual fase do rádio, responde: “A rádio evoluiu muito. Hoje o locutor não faz quase nada devido ao computador, não se usa mais as cartucheiras, discos e nem mesmo os CDs”. Em seguida, complementa: “A informática tirou todas a liberdade de criação do comunicador”.

Ouça um trecho do programa de Sílvio Jacon

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