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Matéria 1391, publicada em 12/09/2005.


Rádios joinvilenses, a outra realidade

Lygia Veny

Minha vontade de ver jornalismo nas rádios joinvilenses ultrapassou a realidade. Engano meu esperar por isso. A única que tenta praticá-lo é a Rádio Globo Joinville AM (1.590 KHz) que, por ser Globo, poderia ser um diferencial. A emissora foi a segunda visitada pela equipe da Revi. O apresentador do programa Globo Cidade, Celso Schmitt, 21 anos de profissão, fala sobre questões políticas e sociais de Joinville, diariamente às 17 horas. Ele é formado em jornalismo no Ielusc e aposta no desenvolvimento do jornalismo nas rádios.

As notícias são elaboradas por informações conseguidas no site da própria Globo e da CBN, que fazem parte do Sistema Globo de Rádio. Existem sonoras prontas que podem ser usadas nas matérias. Muito simples. O apresentador escolhe pautas não-factuais, ou seja, assuntos que podem ser abordados em qualquer momento. Arranja uma sonora, cria um textinho e pronto. Uma matéria saindo do forno! O trabalho “artesanal” de ir às ruas, de se empenhar para produzir uma matéria, passa longe das redações — se é que posso chamar de redação — das rádios.

É como pegar a massa do bolo pronta e só fazer a cobertura. Pouca informação e muito entretenimento, que também não é dos melhores. Exemplo disso é o programa Ronda Policial, apresentado na Rádio Cultura (1.250 AM) diariamente das 12h30 às 14 horas, por Aymoré do Rosário. Há 21 anos na emissora, Zeguedé, como é mais conhecido, é um senhor de 64 anos, bem-humorado, que já foi vereador e gosta de conversar. O conhecemos enquanto apresentava o programa, durante nossa visita ao estúdio.

No ar, Zeguedé interfere na programação para comentar nossa visita. Inclusive nos oferece empadinhas. É popular, com “r” puxado, lembrando o estilo mais antigo de rádio. É educado e não chama ladrão de vagabundo, “apenas de marginal, pois isso ofenderia a pessoa”. O homem que imaginei era envolvido com a comunidade e até poderia conhecer uns bandidos; uma autêntica figura folclórica que seria o marco das rádios. Mas essa figura não passava de um senhor que trajava calças sociais, sapatos e suéter. Nada de mais. Nada de anormal. Apenas um homem que ganha a vida na rádio. Acabou o programa, acabou Zeguedé. Apenas Aymoré.

E para aumentar minha frustração, conheci a Transamérica (91.1 FM). Formada por cinco funcionários, a emissora tem uma programação pop. Eu, que já não gosto de estilo pop, muito menos de uma determinada voz quando pouco escuto a transmissão, confesso que fiquei impressionada com o dono dessa voz. Seu nome é Silvio Jacon, 16 anos de rádio e um ano e meio na casa como locutor. Trabalhou quatro anos em Portugal como operador de telemarketing e locutor da Rádio Cidade. No Brasil, além do emprego atual, passou pela Rádio Cidade e Rádio Alternativa, ambas em Curitiba e outras duas em Maringá e Paranaguá, todas FM. É um homem batalhador que encara qualquer trabalho.

Mas nem tudo estava perdido, pois o Chilli Magazine surgiu para salvar as rádios da cidade. Irreverência é o principal ingrediente usado na radionovela produzida na Floresta Negra por Ana Paula Peixer (uma das proprietárias) e coordenadora da equipe. A trama se passa em “Chuville” e, de forma cômica, critica a cultura local com a participação de cinco personagens. O projeto visa resgatar a radionovela e “abrir a mente do povo da cidade”.

800x600. ©2005 Agência Experimental de Jornalismo/Revi & Secord/Rede Bonja.