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Matéria 1184, publicada em 31/05/2005.


Dez cantos e contos da MPB

Cristiane Pereira

Falta de opção não é desculpa para não ouvir MPB. O repertório da Música Popular Brasileira é tão vasto e diferenciado que, para quem gosta do gênero, fica até difícil escolher uma lista das dez preferidas, como foi solicitado pela Revi a alguns amantes da música nacional. Entre os que responderam, dois reclamaram de ter que se restringir a dez. O professor de jornalismo Gastão Cassel (veja lista), por exemplo, fez duas listas, com o título de “destacadas” e ainda alertou: “Jamais diga as melhores”. O diretor do curso de Comunicação Social do Ielusc, Samuel Pantoja Lima, insistiu: “Só dez? Deixei de citar um monte de gente”(veja lista). Também enviaram suas listas o acadêmico de jornalismo Juliano Pfutzenreuter e o prático aposentado Valdir Pereira.

Valdir é um aficionado pelos rítmos nacionais, sobretudo bossa nova e samba. Ele diz que o samba enfeitiça quem ouve. Talvez por isso Noel Rosa e Vadico, em 1934, tenham batizado uma das suas mais conhecidas composições de Feitiço da Vila, música composta enquanto Minas Gerais e São Paulo disputavam o poder político. Mais ou menos na mesma época, José Barbosa Silva, o Sinhô, fazia sucesso com suas músicas. No Carnaval, nos teatros, nas revistas e nos discos, as canções eram trilha sonora obrigatória. Jura é um dos grandes sucessos.

O samba produziu grandes ídolos em sua trajetória. Entre eles, Cartola se destaca como compositor e intérprete. As rosas não falam é uma amostra das muitas composições que o fizeram conhecido como o “poeta trovador”. No final do século 20, Ismael Silva funda a primeira escola de samba: a Deixa Falar, que impulsionou o samba como o gênero musical mais popular da MPB.

Em 1963, a dupla Tom Jobim e Vinicius de Moraes premiam a música nacional com Garota de Ipanema. Composta em homenagem a Helô Pinheiro, a canção tornou-se o hino das cariocas que passeavam pelo calçadão de Ipanema. Com o golpe de 1964 os compositores e intérpretes transformaram a música em “pretexto para protesto”. Um exemplo das composições deste período é a canção Disparada, composta por Geraldo Vandré e Théo de Barros. Seguindo a linha de caráter político, Cálice (Cale-se), de Gilberto Gil e Chico Buarque, também demonstra a insatisfação com a ditadura militar.

Ponteio, composição de Edu Lobo, venceu o festival da Record em 1967, superando Gilberto Gil, Chico Buarque e Caetano Veloso. Os festivais da canção eram o palco dos adeptos das músicas de protesto, da Jovem Guarda e do Tropicalismo, movimento responsável por introduzir a guitarra elétrica na, até então, tradicional MPB. A canção Tropicália, de Caetano Veloso, é o hino do movimento.

Em 1976 o compositor cearense Belchior escreve Como nossos pais. A inclusão da canção nos shows de Elis Regina o projetou como grande letrista. E para não se repetir e falar das coisas aprendidas nos discos, a Canção da América, composta e interpretada por Milton Nascimento em 1980, fala do valor das grandes amizades e da dor da separação.

Essas são apenas algumas das obras que fazem da Música Popular Brasileira um desfile de grandes sucessos pelo mundo afora.

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