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Matéria 0931, publicada em 23/02/2005.


Estudo analisa primeiros trabalhos de Nelson Rodrigues

Vanessa Bencz

O início da carreira do “Anjo Pornográfico” e seus textos incipientes são temas da monografia de Cristiane Schmitz, aluna do curso de jornalismo. Cristiane apresentará o projeto no dia 4 de março, às 19h, na sala C7, e terá na banca o professor Alexandre Silva e o convidado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Fábio Lopez. O título da monografia é “Carne com palavra – O erotismo de Nelson Rodrigues pelos olhos de Bataille”.

Orientada pelo professor Luiz Felipe Guimarães Soares, Cristiane está desenvolvendo há mais de um ano a monografia, e lamenta não ter tido tempo para estender mais a pesquisa. “Eu gostaria de ter lido todas as obras do escritor, todos os textos da época em que trabalhou em jornais, mas infelizmente não foi possível, mal pude refletir sobre alguns tópicos”, desabafa. Mas os maiores desafios, Cristiane assegura terem sido os critérios da monografia. “Este projeto não se trata apenas de abordar um simples interesse nosso. Deve ter embasamento, uma teoria definida, expressão e compreensão do que você vai apresentar. Não se tem liberdade para escrever da sua maneira, como é geralmente no jornalismo. Algumas coisas passam batido”, afirma.

Ela deu ênfase aos primeiros trabalhos de Nelson Rodrigues, e sua maior fonte foi o livro “O Baú de Nelson Rodrigues”, com a organização de textos de Caco Coelho e de autoria do próprio escritor. A obra reúne materiais coletados entre 1928 e 1935, época em que o autor trabalhou nos jornais “A Manhã”, “Crítica” e “O Globo”. “O livro foi lançado na hora certa (2004). Senão, eu teria que viajar para o Rio de Janeiro e fazer a pesquisa lá”, comemora a estudante.

A monografia consiste na análise das principais características literárias de Nelson Rodrigues, expondo textos de teor jornalístico, de discurso erótico e que destacam as suas características peculiares, principalmente o costume de usar pseudônimos. “Ele tinha um jeito próprio de escrever, abordava o erotismo com sutileza, e muitas vezes, com o pseudônimo de uma mulher, como por exemplo, Myrna”, destaca. A análise que Bataille – pensador e escritor francês – faz sobre o erotismo, será essencial para observar o estilo do escritor pernambucano. Segundo o professor Luiz Felipe, este trabalho tem grande importância no âmbito da comunicação, pois está destacando a tênue fronteira existente entre a literatura e o jornalismo.

A monografia e a atividade como assessora de imprensa na Primeira Linha Editora ocupam o dia-a-dia de Cristiane. Após concluir a graduação, a estudante almeja trabalhar na mídia impressa, com jornal diário. “Se tem uma coisa que eu realmente gosto de fazer, é escrever”, ressalta.

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