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Matéria 0663, publicada em 19/05/2004.


Impactos do turismo rural nas comunidades agrícolas

Rosana Rosar

“Os impactos do turismo rural nas comunidades agrícolas não se limitam aos impactos diretos, como por exemplo, a erosão das trilhas, a criação de resorts e a destruição de nascentes de rios”. Foi levantando essa discussão, sobre os impactos sócio-culturais e sócio-econômicos do turismo rural nas comunidades agrícolas, que o doutor em sociologia, Joaquim Almeida iniciou a segunda mesa-redonda do 4º Congresso Internacional de Turismo Rural e Desenvolvimento Sustentável (4º Citurdes).

Maria José Carneiro, antropóloga e professora da Universidade Rural do Rio de Janeiro e de Marcelo Ribeiro, da Universidade de Santa Cruz do Sul, enfatizou a importância da preocupação com as comunidades afetadas pelo turismo rural. Os dois palestrantes consideraram difícil classificar os impactos em positivos e negativos, pois o que é importante para determinada comunidade, pode não ser para outra. Não se pode generalizar, alegaram.

Maria José Carneiro chamou a atenção sobre compreendermos as condições sociais, culturais e econômicas da população que está recebendo intervenção do turismo. Para ela, é necessário substituir o olhar voltado para o empreendimento e os lucros, pelo olhar direcionado à comunidade, entendendo o turismo como aspecto de sociabilidade. Ela falou sobre o comportamento dos turistas, que vão para o campo com uma imagem idealizada de natureza.“Eles buscam através da paisagem satisfazer uma necessidade, que nunca é saciada. Por isso há sempre turismo. Os turistas nunca se satisfazem e querem voltar ao lugar visitado”, enfatizou.

Marcelo Ribeiro, doutor em Turismo e coordenador na Universidade de Caxias do Sul (Unisc), ressaltou a necessidade de existirem políticas públicas voltadas para a minimização dos impactos do turismo rural nas comunidades agrícolas. Para ele, os turistas, que muitas vezes não tiveram contato com o rural durante a infância, têm acesso a essa realidade apenas por fotos ou pela mídia, vivendo assim uma nostalgia inventada. Segundo ele, há uma espécie de valorização excessiva dos costumes e tradições, que podem ser inventados para atrair os turistas e isso pode descaracterizar o lugar visitado.

A cultura urbana não está destruindo a rural, há uma troca entre as duas. Com o turismo rural são criadas novas culturas agrícolas, empregos para a região, as mulheres são inseridas no mercado de trabalho e o patrimônio dos lugares é preservado. Por outro lado, pode ocorrer a perda da identidade local, modificação nos valores sociais e alterações arquitetônicas, o que não é benéfico para as comunidades agrícolas.

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