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Matéria 0160, publicada em 19/08/2003.


:Juliano Nunes

Mais de 200 interessados assistiram à abertura da 5ª Semana Acadêmica

Mesa admite irresponsabilidade na criação de museus

JPN

A “criação desenfreada de museus” foi destacada ontem, por Charles Narloch, na mesa redonda que abriu a 5a Semana Acadêmica do curso de Turismo com Ênfase em Meio Ambiente do Bom Jesus/Ielusc, no anfiteatro da instituição. O tema do evento é “Turismo e Diversidade Cultural em Santa Catarina” e vai até o dia 20.

Ao abordar o tema “Políticas Públicas para o Turismo em Santa Catarina”, Charles Narloch ressaltou que a prioridade agora é, em conjunto com o IPUJ, preservar o que já tem e fiscalizar o patrimônio histórico. “Para isso, é necessário estabelecer políticas claras de preservação do patrimônio cultural”, disse. Ele ainda ressaltou a responsabilidade da Fundação Cultural de fiscalizar os 40 imóveis tombados e os sítios arqueológicos locais. Ao falar sobre eventos, Narloch apontou a importância dos mesmos por se tratar de algo que tem o potencial de “formar”, além de artistas, o público.

Participaram, ainda, da primeira mesa de debates o presidente da Fundação Catarinense de Cultura, Edson Machado, o presidente da Promotur, Alexandre Brandão Nascimento, o diretor de Planejamento e Desenvolvimento Turístico da Santur, Flávio Agustini, e a diretora do curso de Turismo do Bom Jesus/Ielusc, Elizabete Tamanini, como mediadora.

Edson Machado falou de seu contato com o sociólogo Domenico de Masi, o autor da teoria do Ócio Criativo, e citou uma frase do italiano: “É universal quem canta sua aldeia”, referindo-se à importância do profissional do turismo conhecer e potencializar o espaço local. Machado ainda destacou diversas metas do governo estadual. Para muitos da platéia, seu discurso foi excessivamente defensivo das ações governamentais.

O segundo a intervir foi Flávio Agustini, que destacou os três pilares da nova administração da Santur: a descentralização, a regionalização e a segmentação, como caminho para tornar Santa Catarina um “estado de excelência [em turismo] no país como nenhum outro.” Agustini apontou que um erro das administrações passadas foi ter investido apenas na divulgação da natureza e não da cultura do estado. Para o presidente da Santur, natureza e cultura são os fatores que atraem turistas, e o estado, por ter grande potencial nos dois, deve dar atenção especial para ambos.

Alexandre Brandão Nascimento lembrou dos feitos da administração municipal passada e as metas da atual. Para Alexandre, Joinville começou a “aparecer” com a construção do Centreventos. Falou ainda do Balé Bolshoi, do Teatro Juarez Machado, do Centro de Exposições Alfredo Salfer e do Expocentro Edmundo Doubrawa. O presidente da Promotur enfatizou a intenção da prefeitura de incentivar o turismo de eventos e que todas as secretarias das micro-regiões da cidade têm prioridade no turismo. A administração municipal, de acordo com Nascimento, firmou compromisso de mais 1000 leitos até março de 2004.

O espaço para debate com os membros da mesa contemplou cinco perguntas do público. Em seguida, foi a vez do professor da UFSC Gelci Coelho, o Peninha, expor as propostas dos dois núcleos de estudos que participa, ambos em Florianópolis. Um deles, o Núcleo de Estudos Fisiológicos, tem o objetivo de preparar pessoal para trabalhar em museus. Dada a grande quantidade de museus no estado, é necessária a formação desse profissional, disse Peninha. O outro, o Núcleo de Estudos Açorianos, foi criado para resgatar essa cultura e fazer com que isso contribua com o turismo. O professor explicou a origem da cultura açoriana, na Ilha de Açores, numa Portugal da Idade Média. Ele falou à platéia da “adoração” do turista pelo pitoresco, pelos mistérios e lendas e por isso deve-se haver um resgate. “Tem gente que conhece Nova Iorque e Paris, mas não a sua realidade local”, criticou.

Cerimonial

A solenidade de abertura foi marcada pela interpretação à capela do Hino Nacional pelo cantor Júnior Passos, por uma intervenção do presidente da Câmara dos Vereadores de Joinville, Darci de Mattos e pela apresentação da dançarina Zaiane, da Casa da Cultura.

O grupo de chorinho Entre Amigos, que se apresenta todas as manhãs de sábado no Mercado Municipal, fechou a noite tocando clássicos da música brasileira.

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