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Matéria 9243, publicada em 04/12/2009.


Radionovelas unem literatura e interpretação

Izani Mustafá *



Um bom enredo, que pode ser um drama com suspense ou então um humorístico, interpretado por um bom casting atores e atrizes para viver diferentes personagens, tendo ainda como pano de fundo muitos efeitos sonoros e trilhas sonoras. Assim nasce uma radionovela, gênero radiofônico, importado dos Estados Unidos, que ficou famoso no Brasil nas décadas de 1940 e 1950, nos anos dourados do rádio. Era uma das principais atrações do principal veículo de comunicação daquela época e garantia uma ótima audiência. Eram encenadas ao vivo, tinham o poder de despertar a imaginação e os ouvintes, na maioria mulheres, acompanhavam as histórias que permaneciam no ar por muitos meses. As primeiras e mais famosas foram Em busca da felicidade (1941) e O direito de nascer (1951), transmitidas pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

As radionovelas perderam espaço nas emissoras com a chegada da televisão, no início de 1960, mas não o encanto e nem a curiosidade. Na verdade, a nova mídia atraiu locutores, atores e atrizes e, é claro, copiou modelos que faziam sucesso no rádio, entre eles, as novelas. Hoje, as telenovelas atraem milhões de espectadores no horários nobres, à noite, a partir das 18 horas. No entanto, no final da década de 1990, universidades de comunicação, algumas emissoras e diversos sites, redescobriram as radionovelas. E a internet tem contribuído para divulgar as produções de trechos antigos e das produções realizadas nas rádios e nas faculdades de comunicação e de artes.

No curso de Jornalismo do Ielusc as produções de radionovelas foram introduzidas na ementa a partir de 2005, nas turmas dos 6º período, com o objetivo de contribuir para que os alunos trabalhassem com a locução mais espontânea, dramatizada, interpretada e utilizassem, por meio da pesquisa, recursos e efeitos sonoros, e trilhas para compor o trabalho. O desafio de adaptar textos literários ou de criar seus próprios textos, elaborar roteiros e fazer uma radionovela é bem aceito por todos os estudantes. Neste segundo semestre, foram cinco produções, apresentadas na Rádio Poste Ielusc (sistema de áudio interno da faculdade), no intervalo da aulas, na segunda-feira, às 20h40.

A primeira radionovela que foi ao ar foi Selvageria, um texto adaptado de A vida como ela é, de Nelson Rodrigues, do grupo formado pelos estudantes Camilla Gonçalves, Ronaldo Santos, Fabiane Ribeiro, Ingrid Passos. Na semana seguinte, os ouvintes ielusquianos ouviram Solidão no Frankfurt, um texto criado pelas estudantes Karoline Meier e Luiza Martin. Na interpretação da radionovela estavam Gustavo Cidral, Priscila Carvalho, Luiza e Teresa Bicheski (foto acima). Karoline foi a narradora. A terceira radionovela produzida foi Que luz nos falta, com texto de Sidney Azevedo, interpretada por ele e pelos colegas Gisele Krama, Jacson de Almeida e Jaqueline de Mello (foto abaixo). Já os estudantes Ariele Cardoso, Carolina Veiga, Jacqueline Vasconcellos, Juliano Reinert e Patrícia de Melo decidiram adaptar a obra de Machado de Assis O alienista. Eles também interpretaram a história. A última produção foi Rose, a selvagem, um texto do estudante Felipe Silveira, adaptado por Ariane Pereira. A radionovela foi dramatizada por ela e pelos colegas Jacson Carvalho, Sared Buéri, Marjorie Caturani e Rozane Campos. Joyce Kunietscki foi a narradora.


Ouça as radionovelas clicando num dos links abaixo:

Selvageria

Solidão no Frankfurt

Que luz nos falta

O alienista

Rose, a selvagem


* Professora das disciplinas de Rádio e coordenadora da Revi.

800x600. ©2005 Agência Experimental de Jornalismo/Revi & Secord/Rede Bonja.